terça-feira, 19 de julho de 2016

O UNIVERSO - PARTE FINAL

Aspectos filosóficos e metafísicos

Do que ficou exposto, físicos eminentes estão trabalhando e tentando estruturar mais de uma dezena de novas teorias, procurando ajustá-las a outros padrões, sem fugir ao rigor matemático, assim como, ao entendimento do homem médio comum. Mas, poucos têm a coragem de explorar alternativas mais próximas da filosofia e da metafísica. Com as lacunas apontadas acima, torna-se imprescindível uma aproximação do incognoscível por outra via que não a simplesmente material, buscando um agente inteligente para explicar fatos e fenômenos que fogem ao materialismo exclusivo. O que estou querendo dizer é que precisamos resgatar as idéias derivadas da dualidade força-matéria, quase abandonada desde Descartes e Leibniz, por serem consideradas coisas não sérias. As superstições, crenças infundadas e as religiões, de modo geral, têm muito a ver com esse quase descaso dos cientistas pelo conceito da dualidade. Voltaremos a este assunto quando tratarmos da Força Inteligente.

Algumas das teorias são variações da teoria do Big Bang. É o caso da teoria do italiano Paolo de Bernardis (2002) que chega à conclusão que teria havido Big Bang, mas não vai haver Big Crunch (Grande Esmagamento, ou seja, retorno da expansão) por faltar matéria para reverter a expansão. Se houver comprovação da existência da "matéria escura", que representaria 90% de toda a matéria do universo, então esta teoria ficaria invalidada. A existência da "matéria escura" preocupa atualmente os físicos e cosmólogos. Por essa teoria, o universo seria plano e infinito com expansão eterna. Uma outra teoria, postulada pelos físicos Paul Steinhardt (USA) e Neil Turok (Reino Unido), publicada em abril de 2002 na revista Science, especula que o universo seria cíclico com seqüências intermináveis de Big Bangs e Bigs Crunchs. Mas, para isso teria que ser provada a existência da "energia escura" e estamos muito longe disso, também.

As especulações teóricas dos cientistas têm o mérito de levar ao debate idéias muitas vezes lógicas e bem fundamentadas, não relegando a um segundo plano o seu conteúdo de intuição ou de inspiração, ambas essas palavras expressando a mesma coisa, mas essa última mais aceita pelos cépticos e materialistas. As especulações científicas costumam nascer como ciência em estado bruto, necessitando lapidação. Algumas chegam a se firmar em mitos, como o mito da criação do universo a partir do nada, para depois procurarem uma explicação para o que seja o "nada" ou o "falso nada".

Não devemos estranhar que o Vaticano, já em 1951, julgava válida a teoria do Big Bang, que mutatis mutandis, se assemelha ao mito da criação bíblica. De outro lado, a teoria cíclica de criação do universo guarda certa semelhança com a teoria do eterno retorno, com evolução (fase de expansão) e involução (fase de contração), mas deixa de lado o conceito essencialmente evolucionário, sempre em uma única direção, como o conceito humano da seta do tempo que aponta sempre em direção ao futuro. Esta acomodação ou coexistência entre ciência e religião não resistirá ao julgamento final, onde a verdade triunfará. Pois, enquanto na ciência várias teorias diferentes podem coexistir de modo pacífico, em religião, isso é bem mais difícil. As dissensões religiosas, por exemplo, entre o cristianismo, judaísmo e islamismo, todas monoteístas, cultuando um mesmo Deus, embora com nomes diferentes, são irreconciliáveis, por causa do fanatismo dogmático de todas elas.

Portanto, é de se esperar que o futuro esteja reservado à Ciência, cujos cientistas estão sempre dispostos a admitir seus próprios erros quando uma teoria falhar e outra se mostrar melhor, isto é, a Ciência jamais se colocou em posição irredutível. E isso está na própria essência da Ciência que admite uma construção progressiva, onde a sua história já mostrou que as ditas "verdades científicas" são muitas vezes provisórias, sujeitas sempre a uma evolucionária revisão de suas teorias e leis em função de novas evidências e realidades. Há, é claro, os teimosos e vaidosos, mas eles sempre acabam curvando-se à verdade.

A nossa conclusão destes conceitos é que toda verdade humana é provisória e ela evolui em função do conhecimento ou saber que, por sua vez, acompanha a evolução humana. Num mundo globalizado, que já está dando os seus primeiros passos, isso se torna cada vez mais real. Encontrado o verdadeiro caminho, respeitadas as culturas próprias de cada povo, o mundo encontrará tempos de paz e muita prosperidade e outro será o viver na terra.

Aqui encerramos esta série de estudos sobre o Universo.

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Referências:

1) FILHO, Kepler de Souza Oliveira. Astronomia Antiga. Acesso em 18 jul 2005. Disponível em http://astro.if.ufrgs.br/antiga/antiga.htm

2) COSTA, JRV. Para que serve a astronomia. Disponível em http://www.zenite.nu/menu01/0201.htm. Acesso em 18 jul 2005.

3) IAG/USP-DEPARTAMENTO DE ASTRONOMIA. Informações Gerais (curso). Acesso em 18 jul 2005. Disponível em: http://www.astro.iag.usp.br/~ronaldo/intrcosm/InfGer/index.html

4) WIKIPÉDIA, Enciclopédia. Astrofísica. http://pt.wikipedia.org/wiki/Astrofisica Acesso em 18 jul 2005.

5) ANÔNIMO. O espaço – conta de louco. Revista Veja, São Paulo, 2 jan 1999.

6) TREVISAN, Marina. Aglomerado de estrelas. Disponível em: http://www.cdcc.sc.usp.br/cda/sessao-astronomia Acesso em 20 jul 2005.

7) MATIOLI, Eder. Buracos Negros. Disponível em:
http://www.cdcc.sc.usp.br/cda/sessao-astronomia Acesso em 20 jul 2005.

8) SCHEMBERG, Mário. Nasce uma estrela. Disponível em:
http://www.cbpf.br/~martin/CAMS/Estrelas/vidaestrelas.html Acesso em 21 jul 2005.

9) TREVISAN, Marina. Estrela de nêutrons. Disponível em: http://www.cdcc.sc.usp.br/cda/sessao-astronomia Acesso em 20 jul 2005.

10) FERRAZ DE OLIVEIRA, Priscila Di Cianni. O Pulsar da nebulosa do Caranguejo. Disponível em: http://www.uranometrianova.pro.br/astronomia/AA004/nebcaranguejo.htm Acesso em 21 jul 2005.

11) GRECCO, Dante. 10 fatos intrigantes do Cosmo. Revista Galileu. São Paulo, Mar 2001 Disponível em: http://www.ajornada.hpg.ig.com.br/ciencia/ciencia00012.htm Acesso em 21 jul 2005.

12) IMBASSAHY, José Carlos de Brito. Energia cósmica fundamental. Revista Espiritismo e Ciência, São Paulo, n. 7, p. 06-09 Disponível em: http://www.ajornada.hpg.ig.com.br/colunistas/imbassahy/imb-0002.htm Acesso em 24 ago 2005.

13) DIEGUEZ, Flávio. O universo é chato como uma tábua. Superinteressante. São Paulo, n.154, p. 52-67, jul 2000.

14) SCHWARTSMAN, Helio. O eterno retorno. Jornal Folha de São Paulo, São Paulo, 2 fev 2002. Descrito em: http:// www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/ult510u57.shtml Acesso em 24 ago 2005.

15) WHITEHOUSE, David. Hubble pode ter descoberto cem novos planetas na Via Láctea. Disponível em: http://www.bbc.co.uk/portuguese/ciencia/story/2004/07/040702_hubble.shtml Acesso em 24 ago 2005.

16) SIQUEIRA, Ethevaldo. Hubble, uma janela para o Universo. O Estado de São Paulo, São Paulo, 30 set 2001.

17) WHITEHOUSE, David. Hubble pode ter um substituto, mais potente. O Estado de São Paulo, São Paulo, 31 mai 2005.

18) SIQUEIRA, Ethevaldo. Hubble vê os confins do universo. O Estado de São Paulo, São Paulo, 7 abr 2002.

19) ASTRO NOTÍCIAS. Descoberto buraco negro no centro da Via Láctea (Chandra). Disponível em: http://www.astro.up.pt/nd/astro_news/2000/0320pt.html Acesso em 24 ago 2005.

20) NASA. A monster in the Midle of the Milk Way. Disponível em: http://science.nasa.gov/headlines/y2000/ast29feb_1m.htm Acesso em 24 ago 2005.

21) GUTH, Allan. Uma eternidade de bolhas. Disponível em: http://paginas.terra.com.br/educacao/labertolo/Cosmologia/Cosmology/bibang_Guth.htm Acesso em 24 ago 2005.

22) HAWKING, Stephen. O Universo numa casca de noz. São Paulo: Editora Mandarin, 2001.

23) FALK, Dan. O universo numa camiseta – À procura da teoria do tudo. Porto Alegre: Editora Globo, 2005.

(24) GREEN, Brian. O universo elegante. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.

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Autor: Caruso Samel



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