segunda-feira, 4 de julho de 2016

FORÇA INTELIGENTE

Neste trabalho, vamos tratar da ação da Força em cada um dos reinos da natureza, bem como, enfatizarmos os atributos dessa Força, responsável pela difusão da vida em todos os reinos da natureza, inclusive nas primitivas estruturas atômicas e moleculares do reino mineral. Trata-se da Força Inteligente, que é auto-governável, auto-expressante e auto-manifestante em todas as formas de vida observável. Vamos nos aprofundar um pouco mais sobre a natureza e a evolução da Força Inteligente.

Quando mencionamos que há uma causa inteligente, não estamos nos referindo ao Deus das religiões, nem às idéias dos religiosos de todas as religiões sobre Deus, muito menos de um Deus supra matemático (o Acaso da teoria das probabilidades), ou do infinito do cálculo infinitesimal ou do Infinito Universal. Nós estamos nos referindo a uma outra forma de compreender essa causa inteligente. Estamos falando de causas ou agentes ainda não conhecidos pela Ciência oficial, causas que são supra galáticas ou entre galáticas, não sobrenaturais, porque o natural não é só o que se vê com os nossos pobres olhos aqui na Terra.

Força e Matéria são os componentes básicos de tudo quanto no Universo existe. Estes componentes estão presentes em toda a parte, no Universo inteiro, em seus componentes primordiais ou sob a forma organizada. É a Força Inteligente que plasma a Matéria, em um processo incessante e complexo de agregação e desagregação. Através desses processos, a Força organiza e transforma o meio ambiente para proporcionar a evolução de suas partículas inteligentes que, em suas numerosas formas aparentes, estão constantemente agindo sobre os seres vivos, particularmente no Homem. A partir de 1910, Luiz de Mattos, já proclamava em sua obra "Pela Verdade" [...], às páginas 231-233, como se processa a ação da Força sobre a Matéria:

"A Força, a Inteligência Universal, é o elemento vital criador de tudo quanto existe. Essa Força, parcelada, facilmente se observa:

a) nos corpos sólidos, como no cristal, que se refaz, quando fragmentado, obedecendo às linhas geométricas da sua espécie, o que denota a ação de um elemento inteligente e diretor;

b) nos vegetais, na sua variadíssima e delicada constituição, desde as gramíneas, às flores, às portentosas árvores, [...]. 

c) no reino animal, irracional, desde o animal doméstico mais meigo, mais dócil, aos ferozes;

d) no movimentar, agir, pensar, falar, rir e chorar do ser humano [...]."

Não é preciso recorrer ao milagre, ao sobrenatural, ao bizarro, ou às várias doutrinas, fontes de teorias absurdas e inteiramente contrárias à verdade e às leis comuns e naturais que tudo regem, para se ter a certeza da existência real da Força, da inteligência e da matéria; é bastante cada ser dominar-se a si próprio, colocar-se em condições de bem raciocinar, para assim tudo observar, ver, sentir e convencer-se [...].

A INTELIGÊNCIA UNIVERSAL

De todos os numerosos sentimentos negativos e positivos herdados do instinto animal e que constituem a inteligência emocional do homem moderno, destacamos o egoísmo que gera a prepotência. Na luta pela sobrevivência, o homem continua carregando essa nociva herança. Por isso mesmo que o egoísmo, fruto direto dos instintos, dos maus hábitos e das imperfeições, leva o homem a assumir uma falsa ideia de poder que está eivado de orgulho e prepotência. Trata-se de um poder presunçoso, onde não cabe a humildade dos verdadeiros sábios.

Além desse sentimento de poder, derivado do instinto animal e da má compreensão de si mesmo como Força e Matéria, o homem primitivo, era também cercado de medo por todos os lados, uma vez que não compreendia as forças da natureza e seus efeitos, muitas vezes catastróficos, o que ainda hoje é observado. Assim, foi natural que sentisse a necessidade de imaginar ou criar um ser supremo, superior a todos os homens, feito à sua semelhança, conforme o seu intelecto e a sua vontade, ao qual pudesse se dirigir nos seus momentos de fraqueza, de medo, de aflição e de sofrimentos físicos e a quem pudesse entregar os seus destinos. Daí à idolatria, invenção de ídolos pelos povos selvagens e dos deuses do paganismo, foi um passo. Até mesmo, decorridos muitos milênios, no Egito e na Grécia, e até mesmo na Roma antiga, muitos eram os deuses cultuados e adorados.

Apesar de quase todas as seitas e religiões (são cerca de 8.500 em todo mundo) serem atualmente monoteístas, os religiosos continuam venerando e adorando os seus ídolos ou santos, mantendo assim uma tradição herdada do politeísmo. É fácil, portanto, entender porque a fé e a adoração ficaram arraigadas no culto de quase todas as religiões, que adotam a ideia de  "um ser supremo materializado, que, depois de muitas denominações, passou a firmar-se mais em uma só: na do "Deus todo-poderoso", mas, ainda assim, à imagem de cada povo". E, ainda hoje, é assim que acontece em muitas religiões, cada povo tendo o seu Deus, variando o nome e os cultos. Seria difícil imaginar que, por exemplo, um povo da raça negra, pudesse ter o seu Deus com feições da raça branca ou que o povo chinês apresentasse seu Deus ou deuses com feições da raça branca.

Mas, de outro lado, há aqueles que, em muito menor proporção, religiosos ou não, sentem a necessidade de se ligarem ao Todo imaterial e imponderável que o ser humano não vê e não pode apalpar, mas pode sentir em toda a sua suprema grandeza, como Força Criadora ou Inteligência Universal, que permeia todas as coisas e seres em todo o Universo e lhes dá Vida. Isso é exatamente o contrário da ideia de adorá-lo, tomando, como tal, o que foi inventado pelo instinto, pelo hábito e pelos desejos desordenados de todos os seres ignorantes, limitando tudo à sua imagem, ao seu "Eu", já que Deus devia ser uma figura de homem ou outra que tivesse forma física terrena, superior ao homem, surgindo, por essa errada ideia, a materialização da Força. 

O PROJETO INTELIGENTE

O Projeto Inteligente (Intelligent Design) é uma teoria proposta por Michael Behe, professor associado de bioquímica da Universidade de Lehigh e autor do livro A caixa preta de Darwin (Darwin´s black box) – The Free Press, 1996. Segundo o Projeto Inteligente, causas inteligentes seriam responsáveis pela origem do universo e da vida, em toda a sua diversidade. Os seguidores dessa teoria, entre os quais se encontra William Dembski, autor de Intelligent design: the bridge between science and theology (O projeto inteligente: a ponte entre a ciência e a teologia) – Cambridge University Press, 1998, sustentam que ela é científica e que oferece provas empíricas da existência de Deus. Ambos são fundadores e diretores do Discovery Institute de Seattle (USA), patrocinado e sustentado por fundações cristãs. 

Estes autores e seus seguidores acreditam que a Natureza é um livro aberto que demonstra a ação do projeto inteligente nos sistemas vivos, mas, estes autores, em vez de oferecerem indícios positivos para seus pontos de vista, tentam principalmente encontrar fraquezas na teoria da seleção natural de Darwin. No entanto, mesmo que encontrassem fortes e bem sucedidos argumentos contra a seleção natural, não tornaria o Projeto Inteligente mais provável. Atuam fortemente nos Estados Unidos e já conseguiram, em alguns estados americanos, por força de mudanças nas leis estaduais, o ensino dessa teoria nas aulas de ciências para ser uma alternativa à teoria científica da seleção natural de Darwin.

Um grande número de oponentes, cientistas e céticos, alegam que o ID (Intelligent Design) visa criar argumentos que seriam usados pelos criacionistas defensores da Bíblia, resistindo frontalmente aos preceitos da evolução de Darwin, através do confronto público Evolução versus Criacionismo. Eles rejeitam a teoria da evolução ferrenhamente e até mesmo a vêem como um empecilho muito grande à religiosidade, como, por exemplo, alega o Professor Johnson, Professor de Direito da Universidade de Berkeley.

Para o Professor Phillip E. Johnson, a teoria da seleção natural de Darwin estabelece três posicionamentos, a saber: primeiro, que Deus não existe; segundo, que a seleção natural somente poderia ter acontecido aleatoriamente e por acaso e, terceiro e último posicionamento, seja o que for que tenha ocorrido por acaso ou aleatoriamente, não poderia ter sido projetado por Deus . Acreditamos que Johnson não entendeu ou parece não querer entender completamente a teoria da seleção natural de Darwin.

Mas não vamos comentar ou rebater uma corrente ou outra aqui, apenas constatar que ambas se engalfinham em uma luta de morte, em vez do entendimento. Tudo gira em torno da polêmica religião versus ciência em torno da existência ou não de Deus, na origem da vida e na duração do processo de evolução na Terra. Os religiosos e os pseudo-cientistas desprezam a teoria da evolução pela seleção natural, à qual Darwin dedicou 27 cuidadosos e disciplinados anos de sua vida para gerar o seu tão controvertido livro, publicado com o título simplificado de Origem das Espécies.

Comentamos apenas que qualquer livre-pensador, cientista ou não, poderá conjecturar algumas hipóteses sobre a evolução da vida na Terra. Por exemplo, Deus poderia ter criado vidas superinteligentes que fazem experiências com seleção natural em outros planetas ou planos existenciais do Universo e transferido o resultado de tais experiências para a Terra, ou mesmo qualquer hipótese que nossa fértil imaginação pudesse sonhar. O que não se pode negar é que a seleção natural existe!

Michael Behe, o autor da teoria do Projeto Inteligente, argumenta que "sistemas irredutivelmente complexos," como o olho e seus componentes, não poderiam funcionar caso faltasse apenas uma de suas várias partes. Ele afirma que "sistemas irredutivelmente complexos não podem evoluir de uma maneira Darwiniana", e que o Projeto Inteligente deve ser responsável por esses sistemas irredutivelmente complexos. Atualmente, este assunto vem merecendo muitos debates de cientistas e biologistas independentes com aqueles comprometidos com o Projeto Inteligente de Behe. O principal contra-argumento dos biologistas é que sistemas biológicos complexos e interdependentes não evoluem como peças individuais, mas sim no seu conjunto e através de modificações gradativas ao longo de milênios de evolução. Sempre que Behe se vê encurralado ele se refugia na teologia, dizendo: "Deus pode fazer qualquer coisa que quiser", ou "Nós somos incompetentes para julgar a inteligência segundo os padrões de Deus."

Apesar de todo esse debate, o próprio Darwin escreveu: "Caso pudesse ser demonstrado que exista qualquer órgão complexo que não possa ter se formado através de ligeiras modificações, numerosas e sucessivas, minha teoria [da seleção natural] certamente cairia por terra." Charles Darwin, The Origin of Species. E isso ainda não foi demonstrado!

O próprio DNA é uma estrutura macromolecular complexa. Esta complexidade cresce nas organizações celulares desde as mais simples às mais complexas, gradativamente, ao longo de bilhões de anos de evolução, submetida às leis naturais e imutáveis, das quais as leis da física derivam. Segundo Victor J. Stenger:

"[...] a probabilidade de que o DNA se organize por acaso é de 1040.000 para uma [segundo Fred Hoyle, Evolution from Space [Evolução vinda do espaço], 1981]. Isso é verdadeiro, mas altamente enganoso. O DNA não se organizou puramente por acaso. Agrupou-se devido a uma combinação do acaso com as leis da física. Sem as leis da física, como as conhecemos, a vida na Terra como a conhecemos não teria evoluído no curto prazo de seis bilhões de anos. Foi necessária a força nuclear para ligar os prótons e elétrons ao núcleo dos átomos, o eletromagnetismo para manter átomos e moléculas juntos e a gravidade para manter os ingredientes da vida resultantes presos à superfície da Terra".

Possam estas fascinantes idéias inspirar muitos físicos a reexaminarem seus pontos de vista no sentido de voltarem, também, seus estudos para a transcendentalidade, ampliando assim o escopo da ciência e colocando suas brilhantes inteligências a serviço da humanidade.

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Autor: Caruso Samel



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