quinta-feira, 7 de julho de 2016

A OBEDIÊNCIA

Uma das coisas importantes na vida, é saber cultivar o espírito de obediência. Adotar como norma a obediência, sem ser servil, é um dever. Nenhuma organização pode manter-se, sem que nela impere o espírito de obediência. Nas Forças Armadas, ela se faz sentir, com maior evidência. A disciplina, que é a mola mestra do equilíbrio universal, é decorrente da obediência. Ser obediente é demonstrar ter consciência da vida. A obediência movimenta-se numa corrente invisível que unifica a ação coletiva. No próprio Poder Criador, está sublimada a conceituação da obediência. Os pais sentem a necessidade de impô-la aos filhos, por saberem que, sem ela, não haverá ordem, disciplina, respeito e educação. Logo, a obediência é princípio básico da vida, que precisa fazer parte dos atos cotidianos.

Presta-se obediência aos conselhos sábios, ao horário, ao programa estabelecido, à orientação superior, aos reclamos da saúde, aos métodos no trabalho, aos avisos previdentes, aos bons costumes e aos ensinos da moral cristã. Se a obediência desaparecesse, o mundo se tornaria um caos, seria uma babel numa cratera de destruição.

Uma vez se reconheça que a obediência é fator de progresso e iluminação, então fácil será compreender que quanto melhor cultivado o princípio de obediência, mais lucrará a coletividade, mais estável será a vida no planeta e melhores serão os resultados por ação conjunta de seus habitantes. Por isso, a obediência é um princípio normativo que o espiritualismo proclama, uma vez que constitui substância preponderante na composição dos elementos que devem sustentar a evolução.

O mundo dá uma volta em torno de seu eixo em vinte e quatro horas, e um giro ao redor do Sol em trezentos e sessenta e cinco dias e um quarto, em obediência a disposições cósmicas. Estes são, apenas, um exemplo do que ocorre na mecânica universal, em que a obediência a leis se faz sentir em toda a plenitude.

Ser obediente à sua própria consciência é ser honesto, trabalhador, zeloso, cumpridor fiel dos seus deveres, porque a consciência é o reflexo da Alma Suprema, e esta só emite qualidades positivas, construtivas e verdadeiras. Ser obediente não é só acatar ordens de terceiros, superiores hierárquicos, e cumpri-las, mas sujeitar-se a todas as imposições honestas que a vida tiver reservado.

Quase todos querem ser milionários, e muitos dos que o não podem ser, insurgem-se e preferem tornar-se desobedientes; é quando se agravam os males. Provas de obediência têm mais valor quando são dadas em condições difíceis, desfavoráveis, porque retemperam o espírito e o promovem a postos mais elevados em futuras tarefas.

Submeter-se à obediência é estimular o sentimento de resignação, não uma resignação de desfalecimento, própria de criatura vencida, mas de fortaleza, ânimo, de força de vontade, de domínio próprio, de entendimento. Se todos tiverem respeito pela obediência, a máquina da vida correrá sem acidentes. A obediência deverá resultar de um sentido, comum a todos, pois a todos beneficia, ajusta, preserva.

O desobediente é um insensato que não conhece o mecanismo da vida, e está em toda parte parasitando pelo mundo e preparando um futuro de amarguras para, por meio dele, cair em si, descobrir-se, e então enveredar por novos rumos.

A obediência enquadra-se nas leis naturais que regem o Universo, e não convém contrariar nenhum preceito dessas leis, porque os resultados não se farão esperar. [...] A obediência espontânea brota das almas bem formadas, inclinadas a participar da harmonia dos acontecimentos. Ela reúne as criaturas, dá ritmo aos trabalhos e aumenta o seu rendimento.

Qualquer ato de desobediência, seja no desrespeito a horários, ou nas reações internas, é sempre uma quebra de harmonia no concerto das atividades humanas, e o responsável terá de colher conseqüências desagradáveis. Pode parecer que não é tanto assim, mas na realidade é. Muitos dos que sofrem por aí, sem saber porque, são vítimas de si mesmos, de sua ignorância das coisas do espírito e dos descuidos com relação aos pormenores apontados [...]. 

Prevenir é sempre melhor do que remediar, e o remédio, nestes casos, é a queima, com dor, das falhas cometidas. Não custa ser obediente, nem dá mais trabalho optar pela obediência. Diante disso, desobedecer é demonstrar negativismo, é reagir contra o bem, é macular a boa conduta.

Só os tolos acham que obedecer é curvar-se, é rebaixar-se, é diminuir-se. Fala aí o orgulho decepcionante, a presunção deformadora, a vaidade perniciosa. Essas três formas de inferioridade, atestam a inteligência obstruída. Dever imperioso é o de obedecer, desde os simples mandados, até às gigantescas ordenações emanantes das esferas luminosas. A obediência é uma retribuição harmoniosa e um pensamento justo e progressivo.

Não se admite a tolerância do mal; o mal é uma aberração que se opõe ao que é bom e verdadeiro, e está sempre fora da lei. Enquanto isso, a disciplina, conseqüência da obediência, está permanentemente dentro da lei. Esta observância cabe para que não se pense que todas as ordens devem ser cumpridas. Evidentemente, as que conduzam ao mal, não. A recusa a uma determinação odiosa pode custar até mesmo a vida, mas o que importa é manter-se a consciência serena e limpa. [...] Quando a obediência integra a maneira de sentir, fica fazendo parte do procedimento normal, infiltra-se nas normas usuais e desaparece qualquer ação atuante exterior.

Uma vez fiquem todos compenetrados do valor da obediência, e não ponham em dúvida a sua razão de ser, e cumpram as determinações que a vida for impondo, com justiça e propriedade, haverá maior aproveitamento de esforços, e melhor conjugação de rendimentos. [...]

A obediência ministrada na infância e assimilada, estende os seus efeitos por toda a existência, produzindo, no correr da vida, valiosos frutos. O ser obediente a princípios é estimado, acatado, infunde respeito e angaria amizades. Ninguém espera surpresas desagradáveis de quem pauta a sua conduta em normas de obediência, visto serem elas inspiradoras de confiança, pela sua submissão às leis eternas. [...] O caráter, influenciado pelo espírito de obediência, assume características de forte expressão. Ninguém se pode impor à admiração e ao respeito, sem o atributo da obediência, em sentido amplo. [...] Aceitar e obedecer as leis da vida é colocar-se a criatura sob o manto do Poder Supremo.

A obediência é virtude e, como tal, colabora para a purificação. A sua prática habilita ao cumprimento do dever, à apuração dos sentidos, à evolução, e, servindo de exemplo e de estímulo, deve, por isso ser compreendida na sua forma essencial e genuína, com o senso de espiritualidade, a fim de que tenha o poder de transformar, para melhor, o estado psíquico e moral da criatura.

A obediência pode ser um lema e um leme para orientar o indivíduo, na sua tarefa diária de proceder sempre de acordo com uma consciência desperta, sensível e lúcida.

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Autor: Luiz de Souza



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