sexta-feira, 8 de julho de 2016

A INTELIGÊNCIA UNIVERSAL

Com o advento da Física Quântica, muitos fenômenos trouxeram grandes embaraços aos seus descobridores. Estes, acostumados a tudo explicarem com base na Matéria e seus fundamentos, passaram a dispor de um vasto campo para estudo, advindo do conhecimento do núcleo atômico e suas partículas. Apesar disso, nem sempre tiveram êxito e muitos paradoxos ainda existem desafiando as inteligências dos melhores cientistas. Nós vamos examinar aqui as principais idéias que foram propostas por alguns deles sobre a Inteligência Universal ou Inteligência Cósmica, sem nos preocuparmos em criticá-las. Como as principais teorias para explicar o Universo e como surgiu a Vida na Terra e sua inter-relação com o Universo derivam da Física Quântica, nós vamos começar com o paradoxo levantado pela experiência de Alain Aspect.

Visão Científica da Inteligência Universal

• Alain Aspect e sua fantástica experiência quântica

As primeiras idéias que levaram ao conhecimento da Física Quântica tiveram início por volta de 1900. A partir de 1925, quando foram descobertas as equações da Mecânica Quântica, a Física Quântica tornou-se aceita como fonte da verdade para os cientistas. Daí em diante, o conhecimento da intimidade da matéria e das forças físicas que atuam no interior do núcleo atômico têm sido o principal objeto da atuação dos físicos. Muitas teorias foram confirmadas experimentalmente em laboratórios sofisticados e caríssimos, enquanto outras permanecem insolúveis ou mesmo representam verdadeiros paradoxos inexplicáveis. Em 1982, Alain Aspect e seus colaboradores, na Universidade de Paris – França, executaram experimentos que verdadeiramente indicavam a noção do intangível e, particularmente, a noção de transcendência no mundo subatômico. 

Em anos anteriores a essa data, a física quântica vinha dando indicações de que devia haver níveis de realidade além do nível material. Inicialmente, partículas como o elétron, por exemplo, pareciam ora se comportar como onda e ora como partícula (matéria), isto é, pareciam ter dupla "personalidade", ou fisicamente dizendo, possuíam um duplo caráter. Dessas observações, Heisenberg inferiu a sua "teoria da incerteza", que nos diz que não se pode estabelecer ao mesmo tempo a posição e a velocidade do elétron num dado momento. Não se trata de uma onda ordinária, mas de uma onda em potencial. Foi quando Einstein ridicularizou essa teoria dizendo que "Deus não joga dados". O potencial dessas ondas quânticas passou a ser considerado como extrapolando a matéria, ou seja, tinham um caráter transcendente.

Até a experiência de Aspect, este conceito não ficou muito claro e era até renegado por muitos. Então, o experimento de Aspect veio confirmar que tal fato não é apenas uma teoria, pois realmente existe este caráter de transcendentalidade em potencial, ou seja, as partículas realmente têm conexões com o espaço e tempo exterior. O que essa experiência demonstrou é que quando um átomo emite dois quanta de luz, chamados fótons, disparados em direções inversas, de alguma forma estes fótons afetam instantaneamente o comportamento de um ao outro à distância, sem trocarem qualquer sinal através do espaço.

Ora, nós sabemos, conforme Einstein havia demonstrado no início do século XX, com a sua teoria da relatividade restrita, que dois objetos não podem afetar um ao outro instantaneamente no espaço-tempo, porque isso levaria um certo tempo para um alcançar o outro, ainda que o espaço que os separasse fosse percorrido à velocidade máxima da luz, que é constante e igual a aproximadamente trezentos mil quilômetros por segundo. Esta é a idéia de "localidade" que deriva do fato de que qualquer sinal é local no sentido que ele deve levar um certo tempo para se deslocar no espaço até outro ponto qualquer. E, apesar disso, se os fótons emitidos pelo átomo na experiência de Aspect influenciam um ao outro, à distância, aparentemente sem trocar sinais, é porque esse fenômeno está acontecendo instantaneamente e, portanto, a uma velocidade maior que a da luz. 

Então, devemos reconhecer que esta influência deve pertencer ao "domínio transcendente da realidade." Esta marcante experiência mostrou aos físicos que algo muito importante está subjacente às partículas subatômicas e nada tem a ver com a realidade material, de que tanto se ufanam, indicando novos rumos para a pesquisa física, além de estabelecer o conceito de não-localidade para tudo que pode ser considerado instantâneo, conforme veremos abaixo nas idéias de Amit Goswami e, também, no capítulo em que trataremos do pensamento.

A essa altura, cabe citar trecho da entrevista que Amit Goswami deu, conforme a referência:

"Henry Stapp, que é um físico da Universidade de Berkeley, na Califórnia, afirma, em um de seus trabalhos, escrito em 1977, que as coisas "fora do espaço-tempo afetam as coisas dentro do espaço-tempo." Não há nenhuma dúvida que isso ocorre no substrato da física quântica, em que você está tratando com objetos quânticos. Agora, naturalmente o x da questão é que nós estamos sempre tratando com objetos quânticos porque está fora de dúvida que a física quântica é a física de cada objeto. Seja ele submicroscópico ou macroscópico, a física quântica é uma só e se aplica. Assim, embora seja mais aparente para os fótons, para os elétrons, para objetos submicroscópicos, acreditamos que tudo isso é realidade e, que toda realidade manifestada e todo o mundo da matéria é governado pelas mesmas leis. E, se assim é, então o experimento de Aspect está nos dizendo que nós devemos mudar nosso ponto de vista, porque nós também somos objetos quânticos".

• David Bohm e sua Teoria da Ordem Implícita 

Falecido em 1992, David Bohm foi um dos principais físicos americanos com profundos conhecimentos da Teoria Quântica no século XX. Atuou na Universidade da Califórnia (Berkeley), no Instituto Princeton de Estudos Avançados e como professor de Física Teórica na Faculdade de Birkbeck, da Universidade de Londres. Durante seus primeiros anos de estudo adquiriu, também, conhecimentos de História da Filosofia e da Ciência.

Para David Bohm, o Universo se encontra em um processo de evolução contínua, ponderando que a aceitação de sua teoria levaria a implicações muito grandes para a humanidade. Bohm escreveu vários livros, mas o principal é Wholeness and the implicate order (O Todo e a ordem implícita). Outros livros foram escritos com a colaboração de B. J. Hiley, J. Krishnamurti e F. David Peat. Além disso, publicou numerosos artigos de divulgação em revistas científicas.

Desenvolvida na década de 80, sua teoria do Universo é conhecida como teoria da Ordem Implícita. Ela tem por objetivo explicar o comportamento bizarro de partículas subatômicas, que os físicos da teoria quântica não conseguiam explicar. Basicamente, duas partículas subatômicas que tenham reagido entre si "respondem instantaneamente aos movimentos de uma em relação à outra, qualquer que seja distância e o tempo que as separem", fato esse comprovado pela experiência de Alain Aspect, que foi posterior à sua teoria.

Bohm sugeriu que forças subquânticas e partículas ainda não observadas pela ciência parecem estar agindo no limiar da matéria. Esta força subjacente podia ser o reflexo de uma dimensão mais profunda da realidade. Sua crença era de que o espaço-tempo podia, realmente, fazer parte de uma realidade objetiva mais profunda ainda, que ele denominou de Ordem Implícita. Dentro da Ordem Implícita tudo está interligado. Então, segundo essa teoria, as partículas subatômicas estariam agindo como se fossem amplificadores da "informação" contida em uma onda quântica. A partir dessas observações, construiu uma teoria nova e controversa do Universo, um modelo novo de realidade.

Bohm fundamentou sua teoria nos conhecimentos científicos da holografia, que se baseia na interferência de ondas: se duas fontes de luz são de freqüências diferentes elas interferirão uma na outra criando um padrão de interferência. Basicamente, um holograma é o registro detalhado do comprimento de onda da própria luz, isto é, um repositório denso de "informação". Assim, em um holograma, cada pedacinho do filme holográfico revela a forma representativa de um objeto tridimensional inteiro. Por analogia, Bohm concluiu que a Ordem Implícita se comporta de modo semelhante a um holograma.

Com esse entendimento, Bohm estendeu a sua teoria a uma visão cósmica ultra-holística, na qual todas as coisas estão conectadas entre si. De acordo com esse princípio, qualquer elemento individual pode revelar ou conter "informações detalhadas sobre qualquer outro elemento no universo." O tema subjacente central da teoria de Bohm é que "o todo indivisível da totalidade da existência faz parte de um movimento indivisível sem fronteiras." Sua teoria nos diz, portanto, que tudo está envolvido com tudo. Assim se expressa Bohm (4):

"A ordem real (Ordem Implícita) foi gravada no movimento complexo dos campos eletromagnéticos, na forma de ondas de luz. Tal movimento de ondas de luz está presente em toda a parte e em princípio envolve o Universo inteiro de espaço e tempo, em cada região. O envolvimento e o desenvolvimento tomam lugar não somente no movimento do campo eletromagnético, mas também, nos outros campos (eletrônico, protônico, etc.). Esses campos obedecem às leis da Mecânica Quântica dando origem às propriedades de descontinuidade e não-localidade. A totalidade do movimento de envolvimento e desenvolvimento pode se estender imensamente além do que se revela às nossas observações. Nós chamamos esta totalidade pelo nome de "holomovimento"".

Segundo sua teoria, o holomovimento atua dentro de uma "realidade multidimensional", que se desdobra em sub-totalidades independentes (tais como, os elementos físicos e as entidades humanas), com relativa autonomia. Para ele, o holomovimento representa essa "totalidade indescritível e desconhecida", sendo a "base fundamental de toda a matéria".

De outro lado, o mundo manifestado é parte do que Bohm chamou de a "ordem explícita.", em contraposição à ordem implícita, dela derivando ou fluindo e, portanto, ela é secundária. Dentro da Ordem Implícita, há "uma totalidade de formas, as quais possuem uma espécie aproximada de recorrência (mudança), estabilidade e separatividade." São estas formas que se apresentam como nosso mundo físico.

Bohm sugere que, em vez de se pensar em partículas como realidade fundamental, o foco deve ser posto em discretos quanta de energia, semelhantes às partículas num campo contínuo. Com base neste campo quântico, Bohm, partindo do microcosmo para o macrocosmo, desdobra a Ordem Implícita em três níveis e os explica usando os conceitos de campo quântico e campo contínuo. Dentro desses campos e em suas interfaces se faz a transferência de "informação" do mais simples para o mais complexo e, vice versa, do Todo para o mais simples, para animar, guiar e organizar o campo quântico original, ou seja, é este holomovimento que dá condições energéticas para as partículas atuarem no mundo tridimensional da matéria.

A Ordem Implícita permeia tudo. Tudo que é e será neste universo está envolvido dentro da Ordem Implícita. Há um movimento cósmico especial que movimenta o processo de envolvimento (enfolding) e de desenvolvimento (unfolding), na forma da ordem explícita. Este processo do movimento cósmico, em ciclos de realimentação, cria uma variedade infinita de formas e mentalidade. Bohm é de opinião que a Inteligência Cósmica fundamental está envolvida neste processo de experimentação e criação infindável. Este Ente, a Mente Cósmica, está se movendo ciclicamente sempre e sempre para frente, resultando uma infinidade de seres experientes (evoluídos).

O modelo cósmico estrutural esboçado por Bohm inclui um exame detalhado dos seguintes temas: a Base de Toda Existência, a Matéria, a Consciência e o Ápice Cósmico. Vamos resumir, nos parágrafos seguintes, o seu pensamento sobre os referidos temas, centro do seu modelo da Ordem Implícita.

Para Bohm, a base de toda a existência é uma energia especial que ele chama de "plenitude", uma "imensa fonte original de energia." A energia dessa fonte concentra-se em um movimento total e absoluto que é o "holomovimento". A Ordem Implícita decorre do holomovimento. Por sua vez, é da Ordem Implícita que emana a ordem em cada aspecto perceptível do mundo (harmonia universal) e, ao final, todos os aspectos se integram no holomovimento indefinível e incomensurável e, também, dele estão emergindo todos os novos conjuntos. É o fluxo da matéria manifestada e interdependente em direção à consciência.

Com relação à matéria animada e inanimada, Bohm considera a partícula como sendo o mais essencial bloco de construção da matéria. Para ele, a partícula é, fundamentalmente, uma "abstração que se manifesta aos nossos sentidos." O Universo inteiro é feito de matéria, manifestada através de uma totalidade de conjuntos. Estes conjuntos "agem e interagem segundo uma série ordenada de estágios de envolvimento e desenvolvimento que, em princípio, permeiam e interpenetram um ao outro através de todo o espaço", mas enfatiza sempre que a ordem explícita é sempre derivada e secundária. Exemplifica a realidade dimensional, mostrando a relação de duas imagens televisadas de um aquário em que um peixe é visto de frente numa das imagens e de lado na outra. O que é visto é uma "relação entre as imagens que aparecem nas duas telas". Nós sabemos, assinala Bohm, que as duas imagens do aquário são atualidades que interagem, mas elas não são duas realidades que atuam independentemente. "Ao contrário, elas se referem a uma única atualidade, que é a base comum de ambas." 

Para Bohm, esta única atualidade é de uma dimensionalidade mais elevada, porque as imagens da televisão são meras projeções em duas dimensões de uma realidade que existe em três dimensões, e que "contém estas duas projeções dimensionais dentro dela." Estas projeções são apenas abstrações, mas a "realidade tri-dimensional não "é" nenhuma destas, ao contrário, é alguma coisa diferente de ambas as imagens, algo como uma natureza real que existe além de ambas".

Com relação à evolução no Universo, a teoria de Bohm afirma que ela existe "porque as diferentes escalas de dimensões da realidade já estão implícitas em sua estrutura". Bohm utiliza a analogia da semente sendo "informada" para produzir uma planta viva. O mesmo pode ser dito de toda matéria viva. "A vida está envolvida na totalidade e, mesmo quando ela não se manifesta, de alguma forma ela está implícita." O holomovimento é a base tanto da vida como da matéria. Não há dicotomia.

Com relação à consciência, Bohm conceitua que consciência é mais que informação e cérebro; ao contrário, ela é a informação que entra no cérebro. Para Bohm, a consciência "envolve ciência, atenção, percepção, o ato do entendimento, e talvez até mais." Continuando, diz: a consciência pode ser "descrita em termos de uma série de movimentos." Basicamente, "um movimento dá lugar ao próximo, em cujo contexto ele estava implícito e agora se explicita, enquanto que o conteúdo do (movimento) anterior se tornou implícito." A consciência é um intercâmbio: ela é um processo de retroalimentação (feedback) que resulta em uma acumulação crescente do conhecimento. Bohm trata também da consciência coletiva, denominando-a de consciência coletiva da humanidade e dá a ela maior significação do que à consciência individual.

Valorizando a consciência coletiva, a humanidade, na medida em que realiza com sucesso sua espiritualidade, caminhará íntegra em direção a uma maior dimensão da realidade - a Plenitude Cósmica. Afirma que o Homem tem um destaque especial no Universo e que este seria incompleto se não houvesse o Homem para validá-lo (antropocentrismo).

Com relação à Plenitude Cósmica, o nível mais elevado no Universo, Bohm refere-se a ela como sendo a fonte do não-manifestado, do Sutil Não-Manifestado, alguma coisa semelhante a espírito, um movente, mas ainda matéria no sentido em que ela é uma parte da Ordem Implícita. Para Bohm, o Sutil Não-Manifestado é uma "inteligência ativa" superior a qualquer "energia definida pelo pensamento". Bohm afirma diretamente: "há uma verdade, uma atualidade, um ser superior que pode ser alcançado pelo pensamento, e isso é inteligência, o sagrado, o santo".

Há certos atributos que podem ser discernidos do modelo cósmico de Bohm. São eles: a Ordem, a Inteligência, a Individualização, a Criatividade, e o senso de Perfeição. Em sua obra Wholeness and the implicate order (O Todo e a ordem implícita), já citada anteriormente. Bohm estuda pormenorizadamente esses atributos. Nós os apresentamos, a seguir, resumidamente:

A ordem é a lei universal que mantém tudo interligado. É a própria energia cósmica que ele, também, denomina de lei do holomovimento. Seu ponto de vista é a do Todo que propicia novos "todos" ou sistemas interdependentes.

A inteligência é "puramente ativa", nada mais sendo que a consciência filtrada, através da qual se obtém o discernimento. Bohm considera o pensamento como sendo basicamente uma operação mecânica. É a inteligência que torna relevante o processo mecânico do pensamento. Ele acredita que, se a inteligência é um "ato de percepção não condicionado", então a inteligência não pode ser encontrada em "estruturas tais como células, moléculas, átomos e partículas elementares". Segundo Bohm, a operação da inteligência deve estar além de quaisquer fatores que podem ser incluídos em qualquer lei conhecida. A "base da inteligência deve estar no fluxo indeterminado e desconhecido, que também é a base de todas as formas não definidas da matéria." Para Bohm, a inteligência sempre esteve no âmago da Ordem Implícita.

A individualização não recebe muita atenção de Bohm, sendo a este respeito um tanto reservado. Para ele, supor que cada ser humano é uma realidade independente que interage com outros seres humanos e com a natureza é uma simples projeção, mas dá ênfase na coletividade, isto é, valoriza a ação coletiva da sociedade como um todo.

Com relação à criatividade, ele a chama de o "Ente do Processo Cósmico", sendo pura energia. Este "ente" é inteligente, consciente, criativo e é, também, uma pessoa! Isso nos parece uma definição mais apropriada ao conceito de espírito.

Sobre a perfeição, Bohm a define como um "ser além do que o nosso pensamento possa imaginar", nomeando o Sutil Não-Manifestado de "perfeito" no sentido de que ele é o Todo. É uma presença com energia cósmica. O modelo cósmico de Bohm sugere também que esta "perfeição" existe desde a criação do cosmos. Ela está presente no processo cíclico do universo. Ela é pura inteligência ativa, a partir da qual tudo que é manifesto, do cosmo provém. Ela age através de uma intromissão na consciência. Ela absorve informação em muitos níveis da consciência, em todas as formas de vida. É a Ordem Implícita que é a Base de Toda a Existência.

Bohm trata, também, do conceito de peregrino cósmico, título dado à Humanidade em geral. A Humanidade é a peregrina de um processo cósmico. Sobre a condição humana e sobre os males resultantes da desordem (que causam sofrimento) e morte, Bohm acredita que não existe desordem ao nível da universalidade não-humana; ao contrário, ela reside no nível da humanidade, principalmente por causa da ignorância. 

A Natureza deu à humanidade o poder da luxúria para fazer erros, porque a humanidade deve ter a "possibilidade de ser criativa". É o nosso poder de escape nesse processo cósmico que nos coloca nestas circunstâncias de escolha e possível caos. A desordem e o conseqüente sofrimento prevalecerão enquanto todos os diferentes elementos (de qualquer sistema dado, seja o de um ser humano ou da sociedade humana) "crescerem caótica e independentemente um do outro, não trabalharem em conjunto".

Bohm considera o mal da Ignorância um problema de mente fechada. Ele a considera "a escuridão do cérebro humano". É o problema do "ego" humano fechado à Mente Universal, à suprema inteligência que se comunica na forma de intuição, que é a percepção pura. Por causa do baixo nível de desenvolvimento de nosso ego (manifestado pela nossa vaidade, nossos medos e pressões emocionais, nossos pontos de vista ignorantes e nossa super extroversão), a intuição é freqüentemente desviada por uma mente fechada. O oposto de uma mente fechada é a abertura para a interioridade. Os seres humanos precisam olhar para si mesmos para serem receptivos à intuição.

A visão global de Bohm sobre o destino humano é simples e direta, pois para o cientista, "a consciência da humanidade é única e não verdadeiramente divisível." Cada pessoa tem a responsabilidade para alcançar isso e nada mais, uma vez que "não há outra saída. É absolutamente isso que tem que ser feito e nada mais pode funcionar".

Bohm acredita que apenas através de uma cooperação coletiva pode o homem atingir o alto grau de energia necessária para "alcançar o todo da consciência da humanidade - a Plenitude".

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Autor: Caruso Samel



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