quinta-feira, 2 de junho de 2016

SOBRE JESUS DE NAZARÉ

Deístas aceitam apenas o Jesus histórico, que foi um ser humano como nós. Jesus foi um homem a frente de seu tempo, mas não tinha nada de divino. Nasceu de pai e mãe e morreu. Muitos mitos foram criados em torno de sua pessoa, baseados em outras divindades da época. Mas ele apenas foi um homem sábio que deixou um legado, e fazemos bem seguir o seu exemplo.

O Jesus de Nazaré que nasceu e morreu naturalmente, foi um ser esclarecido que deixou valiosas lições de amor e bondade para a humanidade. Mas era um homem como qualquer outro, que sentia fome, sede e dor física. Penso também que os evangelhos escolhidos pelo catolicismo contém dentro do que for coerente, palavras que realmente foram ditas pelo Mestre dos mestres. 

Mas que existem também algumas contradições que lançam dúvidas se muita coisa atribuída a Jesus de fato foi verossímil. Em algumas passagem ele fala de paz, já em outras ele diz que não veio trazer paz, mas espada; Jesus tendo um ataque de fúria no templo, sendo que ele disse para amarmos nossos inimigos; noutra passagem ele diz ter vindo trazer divisões nas famílias, colocando um parente contra o outro; Jesus também pede para seus discípulos comprarem armas. Existem duas genealogias divergentes sobre Jesus, e também os relatos da suposta ressurreição são contraditórios nos 4 evangelhos.

Não restam dúvidas que a Bíblia, assim como outros “livros sagrados” antigos são carregados de símbolos, fábulas, metáforas e lendas. Tudo isso carece interpretação, algumas mais voltadas ao sobrenatural e outras não, e com isso são inúmeras as inferências que os religiosos criam para dar um ar de “revelação divina” aos escritos. Devo ressaltar também que existe bons ensinamentos que bem aproveitados elevam o nosso caráter, mas tem muita coisa que não se aproveita nada, e até pode levar muitos a loucura do fanatismo raivoso e intolerante.

Uma coisa é certa: Se a Bíblia fosse mesmo um livro divino inerrante, não necessitaria de nenhuma defesa humana. Seria em tudo coerente de Gênesis a Apocalipse, mas infelizmente não é isso que se constata. Se fosse haveria apenas uma única Igreja e não esta Babel gigantesca com milhares de ramificações, criadas segundo o gosto de cada fundador. Se a Bíblia fosse coesa, não haveria tanta divisão entre aqueles que afirmam seguir o mesmo Deus. É isso que o mundo vê, é isso que faz aumentar cada vez mais o número de descrentes e de pessoas de abandonam as igrejas. O próprio Jesus antes de ser crucificado deixou claro que o mundo só entenderia que ele era o enviado para esclarecer o mundo se os seus discípulos vivessem em plena unidade:

"Minha oração não é apenas por eles. Rogo também por aqueles que crerão em mim, por meio da mensagem deles, para que TODOS SEJAM UM, Pai, como tu estás em mim e eu em ti. Que eles também estejam em nós, PARA QUE O MUNDO CREIA QUE TU ME ENVIASTE. Dei-lhes a glória que me deste, PARA QUE ELES SEJAM UM, assim como nós somos um: eu neles e tu em mim. Que eles sejam levados à PLENA UNIDADE, para que o mundo saiba que tu me enviaste, e os amaste como igualmente me amaste." (João 17:20-23)

Vemos que as divisões no cristianismo começaram em Atos, já no primeiro século. Haviam os judaizantes, docetas, gnósticos e os proto-ortodoxos (futuros católicos); este último acabou vencendo por ter sido adotado pelo imperador Constantino. Os proto-ortodoxos logo que se aliaram ao império romano, trataram de perseguir e aniquilar os outros grupos. Como se diz: É a lei do mais forte, onde o amor e compaixão pregados pelo Cristo não abrandou o coração dos bispos que mais tarde dariam forma ao livro que os protestantes idolatram. O cristianismo proto-ortodoxo era distribuído em patriarcados onde o romano tinha proeminência e forte influência sobre os outros. Depois veio a tal cisão que deu origem a Igreja Ortodoxa e mais tarde a Protestante e de lá para cá a confusão foi só aumentando até chegar as milhares de denominações que temos hoje. E a tal plena unidade ordenada por Jesus aos seus discípulos, antes de ir para o calvário, se tornou no maior fiasco do Cristianismo. 

Cada uma denominação cristã cria a versão de um evangelho a sua maneira, é isso que as várias vertentes do Cristianismo fazem. O Cristo dos católicos difere dos protestantes. O Jesus dos calvinistas é bem diferente do Cristo dos arminianos; o Jesus dos pentecostais, dos tradicionais, dos Testemunhas de Jeová, dos Mórmons, dos Kardecistas, Sheico-no-ie, LBV e tantas outras seitas divergem muito na forma como apresentam o Mestre de Nazaré. Agora qual Jesus é o verdadeiro? Lógico que na mente da maioria dos crentes será a versão de sua corrente cristã, mesmo sabendo que todas as instituições eclesiásticas, salvo algumas variantes nas traduções, fazem uso da mesma Bíblia.

Quando Jesus fala de crer nele, ele se refere aos seus ensinamentos, não era para conversão a uma religião ou conjunto de credos. Ser discípulo é praticar os ensinamentos de seu mestre, e não venerá-lo como orações e cânticos. Crer em Jesus é partir para a ação humanitária e não ficar engaiolado num edifício aos domingos envaidecendo as emoções com músicas e sermões de auto-ajuda.

Concluindo...

Ser cristão não é se tornar um defensor de livros sagrados, mas tornar sua própria vida num livro de boas histórias.

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Autor: Claudio Santos

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