sexta-feira, 17 de junho de 2016

RELIGIÃO & ESPIRITUALIDADE

A espiritualidade é anterior à institucionalização das crenças e, em vez de respostas, traz perguntas, tolerância, meditação. Até o surgimento do cristianismo, as religiões se prendiam a limites étnicos, culturais e territoriais. A espiritualidade existe desde que o ser humano irrompeu na natureza. As religiões são recentes, datam de aproximadamente oito mil anos.

As religiões, em princípio, deveriam ser fontes de espiritualidade. Em geral, elas se apresentam como catálogos de regras, crenças e proibições, enquanto a espiritualidade é livre e criativa. Na religião, predomina a voz exterior, da autoridade religiosa. Na espiritualidade, a voz interior.

A religião é instituição; a espiritualidade, vivência. Na religião há disputa de poder, hierarquia, excomunhões, acusações de heresia. Na espiritualidade predominam a disposição de serviço, a tolerância para com a crença (ou a descrença) alheia, a sabedoria de não transformar o diferente em divergente.

A religião culpabiliza; a espiritualidade induz a aprender com o erro. A religião ameaça; a espiritualidade encoraja. A religião reforça o medo; a espiritualidade, a confiança. A religião traz respostas; a espiritualidade, perguntas. Religiões são causas de divisões e guerras; espiritualidades, de aproximação e respeito.

Na religião se crê; na espiritualidade se vivencia. A religião nutre o ego, uma se considera melhor que a outra. A espiritualidade transcende o ego e valoriza todas as filosofias que promovem a vida e o bem. A religião provoca devoção; a espiritualidade, meditação. A religião promete a vida eterna; a espiritualidade a antecipa. Na religião, Deus, por vezes, é um conceito; na espiritualidade, experiência inefável.

Há que fazer das religiões fontes de espiritualidade, amor e justiça. Jesus é exemplo de quem rompeu com a religião esclerosada de seu tempo e vivenciou e anunciou uma nova espiritualidade, alimentada na vida comunitária, centrada na atitude amorosa, na intimidade com Deus, na justiça aos pobres, e no perdão.

Quem pratica os ritos de sua religião, acata os mandamentos e paga o dízimo, mas é intolerante com quem não pensa ou crê como ele, pode ser um ótimo religioso, mas carece de espiritualidade. É como uma família desprovida de amor.

O poeta romano do século I antes da era comum, Tito Lucrécio Caro, em seu trabalho hercúleo De Rerum Natura, criticou a religião. Um filósofo da escola epicurista, Lucrécio acreditava que o mundo era composto exclusivamente de matéria e vácuo, e que todos os fenômenos poderiam ser entendidos como resultantes de causas puramente naturais. Lucrécio, como Epicuro, sentia que a religião teria nascido do medo e da ignorância, e que a compreensão do mundo natural poria as pessoas livres de seus grilhões.

Escrevendo em 1776 sobre os antigos romanos, Edward Gibbon declarou: "Os vários modos de adoração que prevaleceram no mundo romano foram todos considerados pelo povo como igualmente verdadeiros; pelo filósofo como igualmente falso, e pelo magistrado como igualmente útil."

Niccolò Machiavelli, no início do século XVI, disse: "Nós, italianos, somos irreligiosos e corruptos mais do que os outros... porque a Igreja e seus representantes deram a nós o pior exemplo." Para Maquiavel, a religião era apenas uma ferramenta útil para um governante que pretendesse manipular a opinião pública.

O deísmo se tornou destaque nos séculos 17 e 18 durante a era do Iluminismo, especialmente no Reino Unido, França e Estados Unidos, principalmente entre os apontados como cristãos que descobriram que poderiam não acreditar nem na doutrina da Trindade, na divindade de Jesus, nos milagres ou na inerrância bíblica, mas que ainda assim acreditavam em um deus. Inicialmente, ele não formou qualquer congregação, mas com o tempo o deísmo influenciou fortemente outros grupos religiosos, tais como o Unitarianismo e o Universalismo, que desenvolveram-­se a partir dele. Ele continua a existir até hoje, sob a forma tanto do deísmo clássico quanto do deísmo moderno. 


AS DIFERENÇAS ENTRE RELIGIÃO E ESPIRITUALIDADE:

A religião não é apenas uma, são centenas.
A espiritualidade é apenas uma. 

A religião é para os que dormem. 
A espiritualidade é para os que estão despertos.  

A religião é para aqueles que necessitam que alguém lhes diga o que fazer e querem ser guiados. 
A espiritualidade é para os que prestam atenção à sua Voz Interior. 

A religião tem um conjunto de regras dogmáticas. 
A espiritualidade te convida a raciocinar sobre tudo, a questionar tudo.  

A religião ameaça e amedronta. 
A espiritualidade lhe dá Paz Interior. 

A religião fala de pecado e de culpa. 
A espiritualidade lhe diz: "aprenda com o erro".. 

A religião reprime tudo, te faz falso. 
A espiritualidade transcende tudo, te faz verdadeiro.

A religião não é Deus. 
A espiritualidade é Tudo e, portanto é Deus.  

A religião inventa. 
A espiritualidade descobre. 

A religião não indaga nem questiona. 
A espiritualidade questiona tudo.  

A religião é humana, é uma organização com regras. 
A espiritualidade é Divina, sem regras. 

A religião é causa de divisões. 
A espiritualidade é causa de União.  

A religião lhe busca para que acredite. 
A espiritualidade você tem que buscá-la. 

A religião segue os preceitos de um livro sagrado. 
A espiritualidade busca o sagrado em todos os livros.  

A religião se alimenta do medo. 
A espiritualidade se alimenta na Confiança. 

A religião faz viver no pensamento. 
A espiritualidade faz Viver na Consciência.  

A religião se ocupa com fazer. 
A espiritualidade se ocupa com Ser. 

A religião alimenta o ego. 
A espiritualidade nos faz Transcender.  

A religião nos faz renunciar ao mundo. 
A espiritualidade nos faz viver em Deus, não renunciar a Ele. 

A religião é adoração. 
A espiritualidade é Meditação.  

A religião sonha com a glória e com o paraíso. 
A espiritualidade nos faz viver a glória e o paraíso aqui e agora. 

A religião vive no passado e no futuro. 
A espiritualidade vive no presente.  

A religião enclausura nossa memória. 
A espiritualidade liberta nossa Consciência. 

A religião crê na vida eterna. 
A espiritualidade nos faz consciente da vida eterna.  

A religião promete para depois da morte. 
A espiritualidade é encontrar Deus em Nosso Interior durante a vida.

----------------- 

Autoria: Guido Nunes Lopes (e pesquisa na Internet)



Nenhum comentário: