quinta-feira, 2 de junho de 2016

O TRISTE FIM DE MIGUEL SERVET

Miguel Servet (Michael Servetus em latim) (Villanueva de Sigena, Espanha, 29 de Setembro de 1511 - Genebra, 27 de Outubro de 1553). Foi teólogo, médico e filósofo espanhol, humanista, homem de grande cultura e conhecimento multidisciplinar, interessando-se por vários assuntos como: astronomia, meteorologia, geografia, jurisprudência, matemática, anatomia, estudo da Bíblia e medicina. 

Segundo consta, desde criança ele foi um excelente estudante. Segundo certo especialista da vida de Servet, "aos 14 anos, ele havia aprendido grego, latim, hebraico e tinha muito conhecimento de filosofia, matemática e teologia". Dos acontecimentos vividos por Servet durante a adolescência, os mais marcantes foram às divisões religiosas que aconteceram na Espanha. Por exemplo, judeus e muçulmanos foram expulsos do país ou forçados a se converterem ao catolicismo.
Já aos 16 anos Servet foi estudar Direito na Universidade de Toulouse, na França. Foi nessa instituição que ele viu uma Bíblia pela primeira vez. Embora fosse proibido ler a Bíblia, Servet a leu escondido. Após o término da leitura da Bíblia inteira, jurou que a leria mais mil vezes. É provável que a Bíblia que Servet leu fosse a Poliglota Complutense, que continha as Escrituras nos idiomas originais, dispostas em colunas, juntamente com uma tradução para o latim. Além dos estudos bíblicos de Servet, o comportamento dos religiosos da sua época o decepcionou muito.

Uma das conclusões de Servet é que o Cristianismo primitivo havia se corrompido durante os três primeiros séculos depois de Cristo, e ensinamentos falsos foram introduzidos nas congregações cristãs, sendo o mais grave deles a doutrina da Trindade. (Outros, tais como Isaac Newton, chegaram a essa mesma conclusão). Aos 20 anos, Servet publicou o livro "Os erros da Trindade", cuja primeira página pode ser vista logo abaixo. Por causa dessa obra, ele se tornou um alvo da inquisição. Além da Trindade, Servet também rejeitou o uso de imagens na adoração. Por causa dessas opiniões, ele se tornou objeto de ódio tanto de católicos como de protestantes. Por isso, o título desse artigo da Despertai: "Sozinho na busca pela verdade".

Sua descrição da circulação pulmonar está assim redigida:

"A força vital provém da mistura, nos pulmões, do ar aspirado e do sangue que flui do ventrículo direito ao esquerdo. Todavia, o fluxo do sangue não se dá como geralmente se crê, através do septo interventricular. O sangue flui por um longo conduto através dos pulmões, onde a sua cor se torna mais clara, passando da veia que se parece a uma artéria, a uma artéria parecida com uma veia".

Admite-se que Servet tenha realizado observações próprias em animais para chegar a essa conclusão, embora não as tenha mencionado.

A sua descoberta da circulação pulmonar foi divulgada em um livro sobre religião, intitulado Christianismi Restitutio, que foi considerado herege, confiscado e incinerado. Salvaram-se apenas três exemplares, um dos quais se encontra em Paris, outro em Viena e outro em Edimburgo. Uma segunda edição, publicada em Londres em 1723, foi novamente apreendida e incinerada.

Servet, mais tarde, fugindo da inquisição francesa (que também o condenou) resolveu passar pela Genebra de João Calvino, este o reconheceu e mandou que o prendessem imediatamente. Em seu julgamento, negaram a Servet o direito a um advogado. Após condenado, os algozes então acorrentaram Servet à fogueira e amontoarem feixes de lenha a seu redor. Quase a metade da lenha estava verde, pelo que Servet sofreu uma morte lenta e agonizante… enquanto a multidão se divertia com o espetáculo.

João Calvino. O famoso reformador de Genebra usava abertamente a violência para torturar e matar "hereges". Calvino tinha enviado uma cópia de suas Institutas da Religião Cristã ao pensador espanhol. Servet leu a obra de Calvino, e escreveu na margem várias notas, críticas e refutações à medida que lia. Calvino ficou tão furioso ao ver as críticas de Miguel Servet que disse:

"Servet acaba de me enviar um volume considerável dos seus delírios. Se ele vir aqui (…), se minha autoridade valer algo, eu nunca lhe permitiria sair vivo."

Após a morte de Servet, Calvino escreveu:

"Quem sustenta que é errado punir hereges e blasfemadores, pois nos tornamos cúmplices de seus crimes (…). Não se trata aqui da autoridade do homem, é Deus que fala (…). Portanto se Ele exigir de nós algo de tão extrema gravidade, para que mostremos que lhe pagamos a honra devida, estabelecendo o seu serviço acima de toda consideração humana, que não poupamos parentes, nem de qualquer sangue, e esquecemos toda a humanidade, quando o assunto é o combate pela Sua glória." (Cambridge University Press, p. 325, 2006)

Calvino também defendia promover guerras em nome de Deus, como consta na Confissão Helvética de 1566:

"E se for necessário preservar a segurança do povo por meio da guerra, que faça guerra no nome de Deus; com a condição de que ele primeiro tenha procurado a paz por todos os meios possíveis, e que não possa salvar o seu povo de outra forma que não seja por meio da guerra. E quando o magistrado faz estas coisas em fé, ele serve a Deus mediante estas mesmas obras que são realmente boas, e recebe uma bênção do Senhor."

Conhecendo a vida de Miguel Servet podemos perceber que ele foi um homem culto e que deixou um legado a ciência, mas foi morto por alguém que se julgava "instrumento de Deus", a medicina deve muito a esse homem, assim como a Geografia, a Teologia e a Geografia comparativa, ele foi uns dos pioneiros da farmacologia, se tivesse vivido mais quem sabe poderia ter descoberto mais, e diferente de seus adversários, soube argumentar.

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Fonte: Recanto da Letras e vários outros sites.



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