domingo, 19 de junho de 2016

O POSITIVISMO

O Positivismo é a corrente de pensamento que entende que o conhecimento verdadeiro só é possível por meio da observação e da aferição empírica do mundo.

A autoria do termo positivismo é geralmente atribuída ao filósofo Augusto Comte (1798-1857) e é comumente entendida como a linha de pensamento que entende que o conhecimento científico sistemático é baseado em observações empíricas, na observação de fenômenos concretos, passíveis de serem apreendidos pelos sentidos do homem. Não apenas isso, o positivismo é a ideia da construção do conhecimento pela apreensão empírica do mundo, buscando descobrir as leis gerais que regem os fenômenos observáveis. Dessa forma trabalham as ciências naturais, como a biologia ou a química, que se debruçam sobre seus objetos de estudo em busca de estruturação das “regras” que constituem as formas de interação entre organismos e seus compostos no mundo biológico observável ou das interações entre diferentes reagentes químicos.

Para Comte, a busca pelo conhecimento positivo constituiria a principal forma de construção de conhecimento do homem. Diante disso, os estudos das áreas das ciências humanas deveriam tomar esse mesmo rumo, de forma a produzir um real conhecimento com o objetivo último de compreender as leis que constituem e regem as interações entre indivíduos e fenômenos no mundo social, independente do tempo ou do espaço no qual se encontram.

O pensamento de Augusto Comte se construía em paralelo aos acontecimentos históricos de sua época. A revolução francesa e a crescente industrialização da sociedade trouxe à tona novos problemas e novas formas observáveis de processos de mudanças profundas na vida da sociedade tradicional da época. Comte buscava a criação de uma ciência da sociedade capaz de explicar e compreender todos esses fenômenos da mesma forma que as ciências naturais buscavam interpelar seus objetos de estudo. Ele acreditava ser possível entender as leis que regem nosso mundo social, ajudando-nos a compreender os processos sociais e dando-nos controle direto sobre os rumos que nossas sociedades tomariam, acreditando ser possível dessa forma prever e tratar os males sociais que nos afligiriam tal como trataríamos um corpo enfermo.

A construção do conhecimento positivo só seria possível, então, por meio da observação dos fenômenos em seu contexto físico, palpável, ao alcance dos nossos sentidos e submetidos à experiência. Este seria o papel da ciência, a compreensão dos fenômenos passíveis de observação sensorial direta, com o intuito de entender, por meio da experiência, as relações entre esses fenômenos, de forma a abstrair as leis que regem as interações para que, assim, seja possível predizer como os acontecimentos envolvidos em determinado fenômeno se darão. A ciência e o método científico são a síntese das ideias positivistas.

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No início do século XIX, a Europa vivia um momento de transição para a modernidade, tornando-se cada vez mais urbana e industrial. É nesse contexto que nasce a corrente filosófica do positivismo, formulada por Comte.

Ainda que a ciência, a indústria e o capitalismo ganhassem cada vez mais espaço, seria equivocado pensar que as ligações com o antigo regime estavam completamente rompidas. Apesar das reformas políticas e econômicas, no campo das ideias o iluminismo ainda não era hegemônico e a Igreja continuava detendo imenso poder em definir o entendimento dos homens sobre o mundo. Comte vivia em Paris e, portanto, observava essas transformações desde de um ponto de vista privilegiado. Enquanto a maioria dos filósofos se empenhava em colaborar com a reformulação das instituições modernas, Comte estava convencido de que antes disso era necessária uma completa reforma intelectual dos homens, que fosse capaz de imputá-los uma nova forma de pensar condizente com o progresso científico. A essa nova forma de pensar, Comte deu o nome de positivismo.

Em 1830, Comte publica o Curso de Filosofia Positiva. Segundo ele, a visão positiva era aquela buscava explicar os fenômenos – naturais ou humanos – através de sua observação e da elaboração das leis imutáveis que os regiam. Para Comte, a perspectiva positivista vinha se estabelecendo em diferentes campos de conhecimento, cada qual em seu próprio ritmo. A procura de leis imutáveis teria acontecido pela primeira vez na Grécia Antiga, com a criação da astronomia e da matemática. Alguns séculos depois o mesmo aconteceria com outras disciplinas, como a biologia e a química.

Em um último estágio, Comte acreditava que era possível elaborar uma ciência capaz de estudar o comportamento humano coletivo seguindo os mesmos métodos das ciências naturais. O positivismo funda, então, a Sociologia, que a princípio recebeu o nome de “física social”. Sua função seria compreender as condições constantes e imutáveis da sociedade (a ordem) e também as leis que regiam seu desenvolvimento (o progresso). Não é coincidência que sejam exatamente estes os termos que aparecem hoje na bandeira do Brasil. Comte teve grande influência no mundo todo e suas ideias ganharam muitos seguidores no Brasil, especialmente entre intelectuais e militares, como Benjamin Constant e Luís Pereira Barreto. A presença dos positivista brasileiros foi notável no movimento republicano e na elaboração da Constituição de 1891. Nosso sistema de ensino também teve influências positivista.

Resumidamente, podemos dizer que o pensamento positivista fundado por Comte estabelece a ciência como o estudo das leis, do que é invariável, determinado e útil para o progresso humano. O positivismo trazia consigo um projeto político, que pretendia colocar a gestão da sociedade nas mãos de sábios e cientistas. Ainda tenha entrado em decadência no século XX, o positivismo influenciou obras importantes, como as de Émile Durkheim e John Stuart Mill.

A título de curiosidade, vale lembrar que nos últimos anos de sua vida Comte se dedicou a elaborar uma religião positivista. Com a razão e o conhecimento em seu centro, essa religião buscaria a unidade humana em nome da ordem e do progresso. Comte chegou a elaborar um calendário próprio, onde os meses ganhariam o nome de pensadores notáveis, que também seriam celebrados em feriados comemorativas. No Brasil, a Igreja Positivista (Religião da Humanidade) ainda possui uma sede no Rio de Janeiro.

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Autores: 
Lucas Oliveira
Camila Betoni

Referência bibliográfica:
COMTE, Auguste. Comte, vida e obra; seleção de textos de José Arthur Giannotti. Coleção Os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1978.



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