quarta-feira, 8 de junho de 2016

DISCIPLINA NA CONDUTA

A disciplina e método devem ser como um corredor através do qual vamos modelando nossa conduta em busca da expressão legítima quando aferida pelos objetivos da Vida. Constituem, por isso, uma espécie de moldura sob a qual damos forma à nossa natureza, forjamos o caráter.

Urge conhecermos os valores essenciais da Vida, pelos quais codificamos o sentido da boa moral. A boa moral, assim, fica sendo a intenção das atitudes com as quais podemos ter acesso ao planos seguintes da vida, por terem essas atitudes repercussão em todas as demais esferas do Infinito; são como os trilhos somente sobre os quais poderemos chegar lá.
O primeiro dos elementos dessa extensa regra deve ser o Trabalho, através do qual cada um executa aquilo que lhe for conferido como dever e ergue o edifício da sua dignidade pessoal. Do trabalho depende a segurança da Família e a grandeza da Nação a que cada ser humano pertence. O legítimo trabalho, pois, é aquele que tem por base a honestidade de propósitos e a pontualidade no compasso de execução.

Cada pessoa pode estabelecer ou escolher os princípios que melhor possam contribuir para regularizar a formação de sua conduta. O autor adotou princípios preconizadas pelo livro Racionalismo Cristão, por ver nelas o corredor ideal para moldar os caracteres, e as transcreve aqui para orientação dos leitores:

1) Fortalecer a vontade para a prática do bem;

2) Cultivar pensamentos elevados em favor do semelhante;

3) Estender o seu auxílio a quem dele necessitar, quando os meios e a oportunidade o permitirem, mas não contribuir para sustentar a ociosidade e os vícios de quem quer que seja;

4) Manter o equilíbrio das emoções na análise dos factos para não afetar a serenidade necessária;

5) Conduzir-se respeitosamente na linguagem e nas atitudes;

6) Ter consideração pelo ponto de vista alheio, principalmente quando manifestado com sinceridade;

7) Eliminar do hábito comum a discussão acalorada;

8) Não desejar para os outros o que não quer para si;

9) Combater a maledicência;

10) Não se ligar pelo pensamento a pessoas maldosas, perturbadas e inconvenientes;

11) Exercer o poder da vontade contra a irritação;

12) Adotar, como norma disciplinar, o hábito sadio de somente tomar decisões que se inspirem no firme propósito de fazer justiça agindo, para isso, com ponderação, serenidade e valor;

13) Repelir os maus pensamentos;

14) Usar de comedimento no falar, vestir, trabalhar, dormir, alimentar e recrear;

15) Não se descuidar com a polidez e a pontualidade, por serem estes reflexos da boa educação;

16) Impor, às exigências da vida, disciplina mental e física;

17) Esquecer-se de quem tenha praticado ofensas, traições e ingratidões;

18) Desviar do seu convívio social aqueles que não possuam envergadura moral;

19) Reduzir ao tempo mínimo possível o contacto que interesses materiais o obriguem a manter com pessoas inidóneas, esquecendo-as em seguida;

20) Cultivar o bom humor, por meio do qual as células orgânicas recebem influências salutares;

21) Dedicar-se integralmente à segurança e à estabilidade do lar;

22) Conservar em plena forma a higiene mental e física;

23) Não voltar a ter entendimentos ou reconciliações com seres comprovadamente desonestos, detratores e falsos, porque a natureza não dá saltos e as modificações não se operam numa só existência;

24) Promover, por todos os meios, inclusive os espirituais, a longevidade, atenta a criatura ao princípio de que a saúde do corpo depende do bom estado da alma;

25) Apurar, ao máximo, o sentimento fraternal da amizade para com as pessoas de bem, com a finalidade de intensificar a corrente harmónica afim do planeta, em benefício comum.

Com a adoção destes princípios, sempre avivados no espírito, não há quem não usufrua um viver relativamente ameno e rodeado de perspectivas agradáveis.

Os que se foram autodisciplinando aprenderam, todavia, que não basta o exercício da imaginação, e que é necessário, após o longo estágio da meditação concentrada, a reta ação. O próprio Krishna isso indicou, conforme se lê ainda no Bhagavad Gitâ: 

“Como já te disse, ó nobre príncipe, há dois caminhos que vão à Perfeição. O primeiro é o caminho do Conhecimento, e o segundo o da Ação. Uns preferem o primeiro e outros, o segundo desses dois caminhos; sabe, porém, que considerados do alto, ambos são um só caminho...”

Também disse:

“Seja, pois, o motivo de tuas ações e dos teus pensamentos sempre o cumprimento de teus deveres, e faze as tuas obras sem procurares recompensa, sem te preocupares com o teu sucesso ou insucesso, com o teu ganho ou o teu prejuízo pessoal. Não caias, porém, em ociosidade e inação, como acontece facilmente aos que perderam a ilusão de esperar uma recompensa de suas ações”.

Tal conselho significa, a nosso entender, que todos os que alcançaram a importância da imaginação, como um projeto que fixamos na mente, devem também considerar que um projeto demoradamente mentalizado deve ser posto em execução, Por isso, muitas escolas filosóficas (dentre elas o Racionalismo Cristão) estão indicando a disciplina e método no viver como o final exercício para a transformação em atos de tudo o que já arquivamos na imaginação, de tal forma que cada vez mais tenhamos facilitada nossa real integração à grande programação Universal, ligando, dessa forma, nosso pequenino ser ao Ser Absoluto.

Os princípios de Cícero, ou os de Horácio, que constituem pontos altos deste Ideal, se tornarão de fácil assimilação no processo da transformação. Para Cícero “observar, pontualmente, todas as regras que podem constituir o homem honrado, é o mesmo que satisfazer todas as obrigações e cumprir todos os documentos que respeitam a todas as partes e a todas as ações da vida, somente podendo ser o homem honrado a proporção que as observa”. 

E indicou estes quatro princípios para caracterizar o que se possa entender por honrado: "Ponderação, Justiça, Valor e Moderação."

Para Horácio "homem honrado é o que se vence a si mesmo, aquele a quem a morte, a pobreza e os trabalhos não atemorizam e que, sabendo reprimir os seus desejos intemperados, despreza as honrarias."

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Autor: José M. B. Amorim



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