sexta-feira, 10 de junho de 2016

AS BASES DO CRISTIANISMO

É sobre esta narrativa simples dos fatos, juntamente com outro caso que vou citar, que os mitologistas cristãos, chamando-se de a Igreja Cristã, ergueram sua fábula de forma absurda e extravagante, não sendo ultrapassados por qualquer coisa que possa ser encontrada na mitologia da antiguidade.

Contam os mitos da antiguidade que os Titãs lutaram numa guerra contra Zeus e que um deles jogou uma centena de pedras contra o deus em um lance; que Zeus, mesmo assim, os derrotou com trovões e os confinou para dentro do Monte Etna; e que cada vez que um Titã se vira, o Monte Etna cospe fogo. É fácil enxergar o fato da existência do monte sugerir a ideia do mito e o mito ter sido feito para explicar a existência do monte.

Os mitólogos cristãos nos dizem que Satanás revoltou-se contra o Todo-Poderoso; que foi derrotado e confinado, não sob uma montanha, mas a um abismo. É fácil ver aqui que o primeiro mito sugeriu a ideia para esta fábula, pois o mito de Zeus e os Titãs foi escrito há muitas centenas de anos antes do de Satanás.

Até agora, existem poucas diferenças entre a antiguidade e os cristãos mitológicos. Mas estes últimos têm planejado levar seus assuntos para muito mais longe. Eles parecem querer ligar a parte mitológica sobre a história de Jesus Cristo com o mito originário do Monte Etna para fazer todas as partes da trama coincidirem. Para isso, tomaram uma ajuda das tradições dos judeus e, desta forma, a mitologia cristã é composta, em parte, da antiguidade e em parte das tradições judaicas.

Os mitologistas cristãos, depois de terem confinado Satanás em um abismo, foram obrigados a deixá-lo sair de novo para a continuação da fábula. Ele aparece no Jardim do Éden, na forma de uma cobra ou serpente, passando a conversar com Eva — que não fica nem um pouco surpresa em falar com uma serpente. E a questão deste diálogo era o de convencer Eva a comer um fruto, o que acabou por condenar toda a humanidade.

Depois de dar a Satanás este triunfo sobre toda a Criação, alguém supôs que a Igreja mitológica teria sido gentil em mandá-lo de volta ao abismo, ou, se eles não tivessem feito desta forma, deveriam colocar uma montanha sobre ele (por isso, a expressão 'a fé move montanhas'), ou ainda ao invés de colocá-lo sob uma montanha, como os antigos mitólogos tinham feito, evitando que estivesse novamente entre as mulheres para não fazer mais de suas travessuras. Mas, mesmo tendo causado todos os problemas que causou, deixaram-no Solto sem obrigá-lo a dar sua palavra de honra e ainda assim, eles subornaram-no para ficar. Prometeram-lhe todos os judeus, todos os turcos por antecipação, ou seja, nove décimos do mundo e Maomé de lambuja.

Depois disso, quem pode duvidar da beneficência da mitologia cristã?

Tendo feito uma rebelião e uma batalha no céu, na qual nenhum dos combatentes poderia ser morto ou ferido - colocaram Satanás num abismo - deixando-o sair novamente, dando-lhe um triunfo sobre toda a Criação e amaldiçoando toda a humanidade por ter comido um fruto, esses mitologistas cristãos trazem dois fins juntos para sua fábula. 

Eles representam este homem virtuoso e amável, Jesus Cristo, para ser ao mesmo tempo deus e homem e também o filho de Deus, celestialmente gerado com o propósito de ser sacrificado, porque Eva comeu um fruto.

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Autor: Thomas Paine



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