domingo, 5 de junho de 2016

A SERENIDADE

A serenidade é um atributo que poucos possuem, apesar de ser indispensável à criatura, na sua vida de relação. Serenidade, exprime domínio próprio, controle dos nervos, força de vontade desenvolvida.

A princípio, há necessidade de por em prática, com esforço consciente, a força de vontade, aliada ao domínio próprio, para que ela se manifeste, evitando-se, neste caso, aqueles estados de alma que, manifestando uma aparente serenidade, escondem uma tempestade interior.
Com o tempo, com a compreensão amadurecida, com o exercício mental disciplinado, com o desenvolvimento da espiritualidade, a ação serena torna-se uma segunda natureza, passa a fazer parte da individualidade, da estruturação psíquica, e revela-se espontaneamente, sem o menor recurso imperativo.

Freqüentemente são chamadas à razão as criaturas que se afobam diante do nada, que se exasperam com ninharias e se afligem com as criações do próprio pensamento. Ao procederem de modo oposto à serenidade, desgastam-se essas criaturas animicamente, envelhecem prematuramente, alvoroçam o ambiente, criam o desassossego em torno de si mesmas e provocam estados intranquilizadores.

A serenidade não significa impassividade, mas, ao contrário, o meio ativo de se dar solução certa, ao menor tempo, a qualquer imprevisto que se manifeste. A serenidade é dom desenvolvido do cabedal espiritualista.

O Mestre Nazareno ofereceu os mais edificantes exemplos de serenidade em todos os seus atos, numa clara demonstração de que esta prática participa, como fator integrante, dos métodos da espiritualidade.

Não se deve esquecer que os que se dizem cristãos, precisam incluir, na prática cotidiana, o hábito da serenidade. É bem certo que há ocasiões em que é difícil conservar a serenidade diante de cenas que se desenvolvem com a ajuda do astral inferior, mas elas, também precisam ser enfrentadas cristãmente nada impedindo, no entanto, que se empreguem energia e ação decisivas, toda vez que se seja solicitada a proceder dessa forma, como única maneira de restabelecer a harmonia, a ordem, a disciplina e o respeito.

A serenidade concorre para a longevidade, para um melhor estado de saúde, para uma acertada deglutição dos alimentos, para dar bom trato ao raciocínio, para reter na memória as lições aprendidas, e para poder atrair-se melhor apoio espiritual, nos momentos precisos.

É comum a criatura empenhar-se pela obtenção de coisas supérfluas, de duração efêmera ou temporária, deixando de parte, como se nenhum valor tivessem, riquezas eternas, de qualidades insuperáveis, e tesouros indestrutíveis, portadores de ventura e felicidade inigualáveis que, como dizia Jesus, nem a traça nem a ferrugem podem consumir; a serenidade é um desses valores esquecidos, desprezados e abandonados à margem da estrada da vida.

Assim se verifica que a humanidade se divide em duas classes: a dos adormecidos, e a dos despertos. Estes, em fileiras de ação construtiva e elevada, querem aprender e pôr em prática as lições espirituais, e são, por isso, os que desfrutarão, mais cedo, os grandes benefícios que lhes conferem tais diretrizes; os outros, são os retardatários impenitentes, os que dormem exaustos pelas margens do caminho, depois de procurarem, em vão, com recipientes exíguos, alimentar de novos contingentes etéreos, o mar fantástico das ilusões.

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Autor: Luiz de Souza



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