sábado, 4 de junho de 2016

A INVENÇÃO DO DIABO

Apesar da crença judaico-cristão-muçulmana, a figura literária do diabo (satanás) é tão só um erro de tradução proposital com a intenção de desassociar o deus bíblico dos atos criminosos que comete nas narrações do velho Testamento ou na Bíblia judaica, Tanak. O cristianismo usou dita figura como adversário de Cristo e como uma figura maligna a quem culpar por todos os males, os quais ele não consegue resolver porque, obviamente, é outra figura imaginária. Seguindo uma evolução literária sobre tal personagem, o cristianismo adaptou-o a todos os deuses “pagãos” contra os quais combatia durante os primeiros séculos, utilizando para eles a mesma denominação. Graças ao poder conseguido e a séculos de conquistas, o judeu-cristianismo fez crer que existe e está presente em tudo, o que contraria frontalmente seus dogmas e fábulas.


A manipulação das traduções bíblicas.

No Antigo Testamento, não existe a figura do demônio, Satã é tão só outra palavra hebraica que define um anjo enviado por Deus com o qual mantém conversações (veja no livro de Jó) e o envia para provar a fé dos personagens bíblicos (esquecendo a sua onisciência).

No Novo Testamento, os autores utilizaram essa palavra para desviar a atenção do leitor crente e assim criar um inimigo e causador de todo mal, quando em realidade, se lermos com atenção a bíblia, o culpado é o próprio Yahvé (Jeová/Deus).

1 - A criação judaico-cristã do diabo.

O cristianismo transformou palavras mal traduzidas do Antigo Testamento (Tanak) intencionalmente, como se fossem nomes, para criar a figura que apareceria no Novo Testamento como um ser independente e maligno contrário a Deus.

2 - Satanás ou Satã.

O nome “Satanás” na realidade provém da palavra aramaica shatán (אנטש) que significa acusador, inimigo, adversário. É apenas a latinização dessa palavra que NUNCA FOI NOME DE NINGUÉM. Nos textos do Tanak (Antigo Testamento) se emprega com essa intenção. Os gregos a traduziram do hebreu ha-shatán, mencionada no Tanak como um espião errante do deus hebreu, que rondava sobre a terra para mostrar a deus tudo o que a humanidade fazia, para que depois pudesse julgá-la por seus atos. (Como se ele não soubesse com a sua onisciência e já não tivesse planejado tudo o que ela faria até o fim dos tempos!).

No Livro de Jó (Iyov), ha-satan é um título, não um nome próprio, de um anjo governado por Deus; ele é o chefe perseguidor da corte divina. No judaísmo ha-satan não faz mal, ele indica a Deus as más inclinações e ações da humanidade. Em essência, ha-satan não tem poder até que os humanos façam coisas más. Depois que Deus ressalta a bondade de Jó, ha-satan pede autorização para prová-la (Deus não é onisciente?). O homem justo é afligido com a perda de sua família, propriedades e mais tarde, de sua saúde, mas ele continua fiel a Deus. Como conclusão deste livro insano, Deus aparece como um torvelinho, explicando aos presentes que a justiça divina é inescrutável (ele pode fazer o mal que desejar sem razão alguma, mas devemos chamar isso de justiça divina!). No final, as posses de Jó são restauradas e ele recebe uma segunda família para “substituir” a que morreu e que ele amava tanto. (Deus deve ter apagado de sua memória, o amor por sua família anterior, caso contrário estaria condenado – POR DEUS – a sofrer por sua perda a vida toda).

Ao traduzirem a bíblia ao grego (versão dos LXX) e ao latim e usá-la no Novo Testamento, os escribas e sacerdotes decidiram não traduzir tal palavra, mas emprega-la como se o “anjo acusador” fosse um diabo inimigo do deus hebreu (tudo ao contrário do significado real e da descrição dada pelos autores do Antigo Testamento hebreu).

Em diversos versículos se usou o termo satã para designar adversários humanos, por exemplo, Davi (1 Sm 29:4); enquanto no âmbito celestial o conceito foi usado como um anjo de Deus enviado para obstruir o caminho do profeta Balaão, contratado por Moabe para lançar uma maldição sobre Israel, sendo, pois, um mero “adversário” (Nm 22:22), não um “demônio”. O termo satã, em histórias como a de Zorobabel, desempenhou um papel de acusador em julgamentos diante de Deus (Zac 3:1), um papel que igualmente desempenha o anjo-satã que aparece na história de Jó, atuando como um simples fiscal que acusa e pede provas (castigos)... E também incita Deus a provar seus fiéis (o que é muito suspeito). No livro de Números se chama shatán (no sentido de “adversário”, “oponente”), ao anjo-mensageiro que Yahveh envia para impedir que Balaão amaldiçoe o povo de Israel. (Num 22:22-32). O termo shatán também entra na vida jurídica israelita, onde alcança o sentido de “acusador diante do tribunal” (Salmos 109:6) (Zacarias 3:1) e o termo shitna, derivado da mesma raiz, é a “acusação”.

Somente no Novo Testamento, os autores decidem lhe outorgar o papel de inimigo de Deus, numa tentativa de confundir o leitor fazendo-o pensar que é um anjo inimigo desse Deus/Cristo, e que este decide lhe tentar e lhe provocar (Marcos 1:12-13) (Mateus 4:1-11) (Lucas 4:1-13) ou que é um anjo que possui corpos que mais tarde Jesus espanta realizando exorcismos (Marcos 3:22-27) (Mateus 12:22-30) (Lucas 11:14-23). O Diabo é um erro proposital de tradução para inventar um personagem, logo todos os exorcismos de Jesus e dos religiosos SÃO 100% FALSOS. Não passam de fraudes descaradas. Jesus acaba fazendo coisas sem sentido, baseadas em erros de tradução. Na língua árabe se chama shaytán, que também significa serpente (de esta forma conseguiram associá-lo à serpente do Gênesis que tenta Adão e Eva com o fruto proibido. Algo que não figura no livro do Gênesis, onde a serpente é denominada apenas como a “a criatura mais astuta e inteligente da criação”).

3 - Belial (Belhor, Baalial, Beliar, Beliall, Beliel). 

Esta é outra má tradução planejada para desviar a atenção do crente. O nome Belial é derivado do hebraico bliya’al (bel-e-yahal), que se compõe de bliy (bel-ee’), que significa “corrupção” (Isaías 38:17) e da palavra ya`al (yaw-al’) que significa “proveito” (beneficio, ganho, vantagem, lucro, etc.) (Isaias 30:5; Jó 21:15; Jer 7:8…). Esta figura literária foi utilizada para definir um personagem com o qual confrontar nas narrações. Os estudiosos o traduzem como “senhor da arrogância” ou “senhor do orgulho” (Baal ial) o “o de lucros corruptos”. No judaísmo os homens “ímpios” sãoconsiderados os filhos de Belial. Nos primeiros séculos do cristianismo e durante a Idade Média, o termo Belial foi empregado erroneamente como sinônimo de Satã/Diabo.

4 - Diabo.

Este nome se origina também da interpretação que se deu em grego aos textos bíblicos. Nestes textos se escreveu a palavra diabos, que significa o mesmo que a palavra shatán em hebraico: “adversário” e “inimigo” (Macabeus 1:36 - (36) Serviram de cilada para o templo, e um inimigo constantemente incitado contra o povo de Israel,) ou “acusador”, “caluniador” (Jó 1:8-12). Nos textos gregos “diabo” provém do verbo grego διαβάλλωηΞ (diabál•ló) que significa, como shatán (hebraico), “caluniar, falsear, mentir”, etc. Nas traduções do Antigo Testamento do século III (Época do imperador Constantino, quem legalizou o cristianismo, fato que facilitou a sua oficialização como principal religião do império romano em 380), os escribas judaicocristãos mudaram a palavra hebreia shatán por diabos.

O cristianismo (seus sacerdotes e escribas) transformou tanto shatán como diabos (simples palavras com um mesmo significado) para criar a figura do demônio. Assim desviaram a culpa de seu deus bíblico para uma figura totalmente nova: um anjo que, em vez de ser enviado diretamente por seu deus para testar a fidelidade (Deus não é onisciente?) de seus personagens literários, causando-lhes dano e tentações sem necessidade alguma (como o próprio Deus confessa em Jó), é considerado como um anjo independente de seu criador (Yahvé) e que atua por vontade própria e contrária ao próprio Deus.

5 - Demônio.

“Demônio” é tão só um sinônimo judaico-cristão para referir-se ao “Diabo”. Já que em muitas culturas anteriores à judaico-cristã se criaram inumeráveis mitos sobre demônios. Segundo a mitologia grega, os demônios eram seres humanos utilizados pelos deuses gregos para levar as más notícias ao povo. Daí vem à associação de “mensageiros do mal”. Os cristãos latinizaram a palavra “diabo” para dar como resultado a criação de “demônio”. Mesclando a concepção grega dos demônios, o judaico-cristianismo criou a ideia de seres malignos que ajudavam seu chefe principal, que era, obviamente, Satã; um suposto anjo caído que desafiou Deus para converter-se em seu rival. (Totalmente ao contrário da realidade bíblica, de um personagem enviado realmente pelo Deus literário hebreu).

6 - Mamom.

Na idade média se atribuiu a palavra Mamom a um dos nomes adotados por Satã. Mamom vem na realidade da palavra hebraica Matmon (ןוממ. Dinheiro ou tesouro). Também provém do aramaico mammon (verbo “confiar” ou um significado da palavra “confiado”) e do fenício mommon (“beneficio” ou “utilidade”). No Novo Testamento, escrito em grego, a palavra que a igreja utilizou para Mamom, é μαμωνας (mamonas), que pode ser vista no Sermão da montanha (durante o discurso sobre a ostentação) e na parábola do administrador injusto (Lucas 16:9-16) com o mesmo significado que em hebraico.

Os cristãos desviaram o significado, como fizeram com shatán e diabo, usando-a como nome próprio. Dessa forma criaram outro dos nomes atribuídos a Satã devido ao fato de que as riquezas, os benefícios e as abundâncias eram considerados por Jesus como algo desonesto e causador de um dos males; a avareza (Lucas 16:13, e Mateus 6:24). Mamom passou a ser mais um nome próprio do diabo em vez do que realmente é; apenas outra palavra não traduzida corretamente pelos escribas gregos e latinos. Mateus 6:24 Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom.


7 - Azazel.

Esta é outra das transliterações que fizeram de palavras hebraicas convertidas em nomes próprios. Sua origem é hebraica e significa “bode emissário”, ou “bode expiatório”, aparece em Levítico 16:8- 10, e que não volta a ser mencionada em nenhuma outra parte da Bíblia hebraica. “Azazel” é uma transliteração direta do hebraico. Desse contexto literário surgiu a imagem popular do demônio com forma de cabra. O cristianismo converteu esta palavra hebraica durante a tradução ao grego da Septuaginta, convertendo a ideia real (anjos enviados por deus) na imagem cristã de anjos caídos ou independentes do “reino celestial”. Mais uma farsa cristã. O judaico-cristianismo também usou deuses “pagãos” para apoiar a criação do demônio no Novo Testamento.

8 - Belzebú.

Esta palavra deriva de Baal Zebub (“El Señor de las Moscas”) ou mais propriamente Ba‘al Z’vûv, (en hebreo לעב בובז, com muitas pequenas variações), que era o nome de uma divindade filisteia, Baal Sebaoth (Deus dos exércitos) em hebraico.
O ódio do povo hebraico (Yahvista e Elohista) contra os filisteus era notável. Na Bíblia os Baales são descritos como inimigos do povo hebreu por “fazer mal diante dos olhos de Yahvé” (Jehova/Deus). Algo ridículo, já que isso de “fazer mal” para o deus literário hebreu, tratava-se simplesmente dos sacrifícios para o deus filisteu Ba´al, em vez de fazerem para ele.

Apenas intolerância religiosa dos hebreus. Ba´al (לעב) era um deus procedente dos povos mesopotâmicos (Ásia menor). Proveniente do significado semítico cananeu Baaal, que significa “senhor”. Os hebreus compuseram um insulto mesclando esse significado com o desprezo contra seus rituais. O nome Beelzebub foi usado pelos hebreus como uma forma de zombaria contra os adoradores de Baal, devido ao fato de que em seus templos, a carne dos sacrifícios era deixada para apodrecer, razão pela qual esses lugares estavam sempre infestados de moscas. Como tudo no judaico-cristianismo, se adaptou esta palavra para usá-la no Novo Testamento como nome próprio. Neste caso, um dos nomes que o cristianismo atribui ao Satã inventado.

9 - Lúcifer ou Luzbel. 

Este nome provém do latim, lux (luz) e ferre (levar): “portador de luz”. É uma adaptação de outro deus da mitologia romana, o equivalente grego de Fósforo ou Eósforo (Έωσφόρος) “o portador da Aurora”. Assim como Belzebú, o cristianismo transformou outro deus pagão (Eósforo) em outro nome para denominar o diabo/demônio/Satã: Eósforo era associado à Vênus ou à estrela Sirius (mitologia Egípcia) conhecida também como “a estrela da manhã”. Nos textos bíblicos Lúcifer ainda tem como significado esta frase (2 Pedro 1:19) e não o Lúcifer demoníaco que mais tarde criariam. 2 Pedro 1:19 Assim demos ainda maior crédito à palavra dos profetas, à qual fazeis bem em atender, como a uma lâmpada que brilha em um lugar tenebroso até que desponte o dia e a estrela da manhã se levante em vossos corações.

Os primeiros cristãos denominavam inclusive o próprio Jesus como “o portador da luz” (Rito Romano liturgia Exultet, cântico de louvor ao círio pascal). 

"Flammas eius lúcifer matutínus invéniat: 
ille, inquam, lúcifer, qui nescit occásum.
Christus Fílius tuus, qui, regréssus ab ínferis,
humáno géneri serénus illúxit,
et vivit et regnat in sæcula sæculórum.

Que a Estrela da Manhã que nunca se põe encontrar essa chama ainda queimando:
Cristo, que Estrela da Manhã, que voltou dos mortos,
e derramou a sua luz pacífica em toda a humanidade,
vosso Filho, que vive e reina pelos séculos dos séculos."

Na tradução para o latim (Vulgata) da Bíblia grega (Septuaginta), Eusébio Hierônimo de Estridão ou Jerônimo de Estridão (Estridão, Dalmácia, c. 340 – Belém, 30 de Setembro de 420), mais conhecido pelos cristãos como “São Jerônimo”, o traduziu como “lúcifer” se referindo a um Salmo que diz como o rei da Babilônia retém o povo israelita dentro da cidade (Isaías 14:12), o qual é representado como a “estrela da manhã” e que está associado com o destino a cair do céu.

A divindade suprema babilônica era representada como um símbolo brilhante com asas de bronze (Emblema do Anzu, Imdugud - acima) que refletia a luz e por isso era considerado como “O portador da luz”. Na vulgata Jerônimo traduziu do hebraico “לליה ןב – שׁחר” (estrela da manhã, filho da manhã) como “lucifer qui mane oriebaris”:

• “Quomodo cecidisti de coelo, Lucifer qui mane oriebaris…?”
• Como caíste do céu, portador da luz, tu que nascias pela manhã…?

No século VII, não era considerado ainda como um ente independente (Satã), e mais, nos textos desse século se pode ver como a palavra “lucifer” se refere na realidade ao brilhante Vênus (como sexto dia da semana, dedicado a: Vênus=Sexta).

• “… Sextum (diem) a veneris stella, quae Luciferum appellaverumt, quae inter omnes stellas plurimum lucis habet”
• Isidoro de Sevilla (Orígenes 5) Teve que chegar o século VIII para que o cristianismo decidisse interpretar erroneamente (devido à sua superstição e à criação da demonologia cristã, durante a perseguição aos “pagãos” e “hereges”) esses textos, mesclando-os com a ideia de que o deus babilônico e muitos textos de inimigos dos personagens bíblicos eram na realidade “o demônio/diabo”.

10 - Concluindo

O demônio/diabo é pura invenção cristã devido a uma má tradução da escritura hebraica.

1. Os principais nomes dos textos bíblicos atribuídos ao Diabo, NÃO SÃO NOMES PRÓPRIOS, mas simples palavras (adjetivos).

2. O judaísmo não tinha ideia ou conceito de diabo no Tanak (Antigo Testamento).

3. O cristianismo adaptou a ideia e o conceito grego dos anjos e demônios, como seus, ao interpretar a Bíblia de uma forma totalmente diferente do contexto.

4. Todos os nomes do demônio/diabo provêm tanto de palavras hebraicas mal interpretadas como de nomes de deuses “pagãos” aos quais o cristianismo demonizou, convertendo-os assim em inimigos do cristianismo. (Outro exemplo seria a imagem e associação do diabo com o
tridente, extraída do deus grego Poseidon e este do deus hindu Shiva – plágio de plágio de plágio).

5. Não existe o demônio/diabo, é tão absurdo crer nele, como no Deus/Yahvé.

11 - Nota

Existem muitos outros nomes além destes, mas estes são os principais e dos quais se origina o conceito de diabo ou demônio judaico-cristão. Se desejar conhecer o resto dos nomes que se atribuíram a essa invenção chamada “diabo”, ou conhecer de onde vem o conceito e a origem de qualquer desses nomes só precisas de um “dicionário etimológico”.

12 – Conclusão

Tanto a ideia do deus hebreu como a do diabo, são composições literárias, fábulas e nada mais.

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Fonte: Coleção Fábulas Bíblicas Volume 6



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