domingo, 5 de junho de 2016

A INQUISIÇÃO PROTESTANTE

Na Inquisição, assim como os católicos, os protestantes também perseguiram os fiéis - com direito a torturas, execuções e espionagem da polícia da fé.

A Inquisição não foi o único caso de intolerância movida em nome de Deus na Época Moderna. Embora não houvesse a institucionalização de tribunais similares aos do Santo Ofício, também foram usadas estratégias de controle da fé nos locais em que o protestantismo era dominante, levando à perseguição por crimes como adultério, discordância dos dogmas protestantes e bruxaria.
Na Alemanha, o líder protestante Martinho Lutero (1483-1546) exigiu perseguições aos anabatistas, grupo cristão mais radical da Reforma, porque, entre outras questões, eles não aceitavam as regras da Igreja Evangélica e divergiam sobre o batismo. A decisão causou a expulsão, o encarceramento, a tortura e a execução de milhares de pessoas. Lutero também divulgou textos com críticas aos judeus – embora sem maiores repercussões na época, estes escritos acabariam utilizados pela Alemanha nazista, em pleno século XX.

POLÍCIA DA FÉ

O teólogo e reformador João Calvino, o 'papa de Genebra', promoveu até espionagens e visitas às residências para vigiar a fé dos fieis. 

Em Genebra, um dos berços da Reforma Protestante e onde ela se mostrou bastante radical, funcionou uma verdadeira “polícia da fé”. João Calvino (1509-1564), devido à sua autoridade sobre os protestantes suíços, era conhecido como o “papa de Genebra”. Ao organizar a Igreja Presbiteriana, instaurou comissões compostas de religiosos e leigos: a Venerável Companhia, responsável pelo magistério, e o Consistério, que zelava pela disciplina religiosa. Para isso, promovia confissões, denúncias, espionagens e visitas às residências, levando muitos à prisão, à tortura, ao julgamento e, em alguns casos, à morte.

A população era proibida de cultivar certos hábitos, como jogar, dançar e representar. Alguns pensadores foram perseguidos, como o médico e humanista espanhol Miguel Servet Griza. Ele foi preso, condenado e queimado em efígie – representado por um boneco. Fugiu em direção à Itália, mas acabou preso em Genebra, onde foi processado pelo Conselho presidido por Calvino e queimado por causa de proposições vistas como antibíblicas e heréticas, entre outras culpas.

Na Inglaterra, uma verdadeira caça às bruxas levou à morte centenas de mulheres acusadas de feitiçaria. A experiência persecutória inglesa foi ainda “exportada” para as colônias na América do Norte, como no famoso episódio das “bruxas de Salem”, ocorrido em Massachusetts, em fins do século XVII, em que várias adolescentes foram mortas, acusadas de promover reuniões em torno de uma fogueira nas quais, supostamente, invocavam espíritos.

Sem dúvida, não são poucos os exemplos de intolerância religiosa nos variados espaços que vivenciaram a Reforma Protestante, mas nada que representasse o equivalente dos estruturados tribunais inquisitoriais católicos.

-------

Muito se fala da Inquisição Católica, mas pouco se sabe sobre a Inquisição Protestante. Vejam alguns países onde a intolerância foi mais marcante: 

ALEMANHA

Bandos protestantes esfolaram os monges católicos da abadia de São Bernardo, em Bremen, passaram sal em suas carnes vivas e os penduraram no campanário. Em Augsburgo, em 1528, cerca de 170 anabatistas foram aprisionados por ordem do Poder Público. Muitos foram queimados vivos; outros foram marcados com ferro em brasa nas bochechas ou tiveram a língua cortada. 

Em 1537, o Conselho Municipal publicou um decreto que proibia o culto católico e estabelecia o prazo de oito dias para que os católicos abandonassem a cidade. Ao término desse prazo, soldados passaram a perseguir os que não aceitaram a nova fé. Igrejas e mosteiros foram profanados, imagens foram derrubadas, altares e o patrimônio artístico e cultural foram saqueados, queimados e destruídos. Também em Frankfurt, a lei determinou a total suspensão do culto católico e a estendeu a todos os estados alemães.

O teólogo protestante Meyfart descreveu uma tortura que ele mesmo presenciou:

"Um espanhol e um italiano foram os que sofreram esta bestialidade e brutalidade. Nos países católicos não se condena um assassino, um incestuoso ou um adúltero a mais de uma hora de tortura (sic). Porém, na Alemanha a tortura é mantida por um dia e uma noite inteira; às vezes, até por dois dias; outras vezes, até por quatro dias e, após isto, é novamente iniciada. Esta é uma história exata e horrível, que não pude presenciar sem também me estremecer."

INGLATERRA 

Seis monges Cartuxos e o bispo de Rochester foram sumariamente enforcados.  Henrique VIII mandou queimar milhares de católicos e anabatistas no séc. XVI. Na época da imperadora Isabel, cerca de 800 católicos eram assassinados por ano e Jesuítas também foram assassinados ou torturados.

Um ato do Parlamento inglês, em 1562, decretou que “cada sacerdote romano deve ser pendurado, decapitado e esquartejado; a seguir, deve ser queimado e sua cabeça exposta em um poste em local público”.

O fundador do anglicanismo foi o Rei da Inglaterra Henrique VIII. Tal figura mandou criar a tal Igreja Anglicana, tanto por querer se livrar de uma católica, para se casar com outra mulher, como para confiscar os ricos bens da Igreja Católica na Inglaterra. Henrique VIII adorava sexo, caçadas e boa-vida. 

Suas aventuras sexuais o levaram a passar suas últimas décadas de vida adoentado pelas doenças venéreas que tinha. Tais doenças eram intratáveis no século em que ele viveu. Henrique VIII também adorava mandar exterminar padres, freiras, irlandeses, etc. Atualmente, a chefia digamos honorária da Igreja Anglicana está na mão do Príncipe Charles, que tem as mesma paixões de Henrique VIII por casos extra-conjugais e caçadas. 

Ainda assim, a tal Igreja Anglicana diz condenar o adultério e demais pecados de seu fundador, Henrique VIII, que deve estar no inferno.

IRLANDA 

Quando Henrique VIII (ilustração) iniciou a perseguição protestante contra os católicos, existiam mais de mil monges dominicanos no país, dos quais apenas dois sobreviveram.

SUIÇA

No distrito de Thorgau, um missionário zwingliano liderou um bando protestante que saqueou, massacrou e destruiu o mosteiro local, inclusive a biblioteca e o acervo artístico e cultural. Catedral de ZuriqueEm Zurique, foi ordenada a retirada de todas as imagens religiosas, relíquias e enfeites das igrejas; até mesmo os órgãos foram proibidos. A catedral ficou vazia, como continua até hoje. 

Os católicos foram proibidos de ocupar cargos públicos; o comparecimento aos sermões católicos implicava em penas e castigos físicos e, sob a ordem de “severas penas”, era proibido ao povo possuir imagens e ou mesmo quadros religiosos em suas casas.

Ainda em Zurique, a Missa foi prescrita em 1525. A isto, seguiu-se a queima dos mosteiros e a destruição em massa de templos. Os bispos de Constança, Basiléia, Lausana e Genebra foram obrigados a abandonar suas cidades e o território. Um observador contemporâneo, Willian Farel, escreveu: “Ao sermão de João Calvino na antiga igreja de São Pedro seguiu-se desordens em que se destruíram imagens, quadros e tesouros antigos das igrejas”.

ESCÓCIA

John Knox, pai do presbiteranismo, mandou queimar na fogueira cerca de 1.000 mulheres, acusadas de bruxaria. 

Hoje, o presbiterianismo se divide entre milhares de seitas. Quase todas estas milhares de seitas agora certamente não aceitariam que a alma de John Knox estivesse em outro lugar, que não o inferno. Tal figura, o John Knox, exigiu e conseguiu que ir à missa fosse crime punido com a morte. Tal pena também era aplicada a possuidores de coisas como imagens de santos, crucifixos e demais objetos tipicamente católicos. Com base em ordens bíblicas, John Knox fez uma total caça às bruxas.

Caso famoso, então, foi de uma mãe e sua filha terem tirado os sapatos, e coincidentemente logo depois iniciou-se um temporal. As duas foram enforcadas por bruxaria. Tudo com o total apoio de John Knox. Com tantas matanças, este tal John Knox deve estar no inferno junto com as bruxas que ele mandou matar. A inquisição suspendeu sistematicamente o Catolicismo nas áreas protestantes. 

O SAQUE DE ROMA

O Saque de Roma foi um dos episódios mais sangrentos da Reforma Protestante. No dia 6 de maio de 1527, legiões luteranas do exército imperial de Carlos V invadiram a cidade. Um texto veneziano, daquela época, afirma que: “o inferno não é nada quando comparado com a visão da Roma atual”. Os soldados luteranos nomearam Lutero “papa de Roma”.

Todos os doentes do Hospital do Espírito Santo foram massacrados em seus leitos. Os palácios foram destruídos por tiros de canhões, com os seus habitantes dentro. Os crânios dos apóstolos São João e Santo André serviram para os jogos esportivos das tropas. Centenas de cadáveres de religiosas, leigas e crianças violentadas – muitas com lanças incrustadas em seus genitais – foram atirados no rio Tibre. As igrejas, inclusive a Basílica de São Pedro, foram convertidas em estábulos e foram celebradas missas “profanas”.

Gregório afirma a respeito: “Alguns soldados embriagados colocaram ornamentos sacerdotais em um asno e obrigaram um sacerdote a conferir-lhe a comunhão. O sacerdote engoliu a forma e seus algozes o mataram mediante terríveis tormentos”. Conta o Padre. Mexia: “Depois disso, sem diferenciar o sagrado e o profano, toda a cidade foi roubada e saqueada, inexistindo qualquer casa ou templo que não foi roubado ou algum homem que não foi preso e solto apenas após o resgate”. O butim foi de 10 milhões de ducados, uma soma astronômica para a época. Dos 55.000 habitantes de Roma, apenas 19.000 sobreviveram . 

OS REFORMADORES E O USO DA VIOLÊNCIA

Lutero

Lutero em 1520, escreveu em seu “Epítome”:

“(…) francamente declaro que o verdadeiro anticristo encontra-se entronizado no templo de Deus e governa em Roma (a empurpurada Babilônia), sendo a Cúria a sinagoga de Satanás (…) Se a fúria dos romanistas não cessar, não restará outro remédio senão os imperadores, reis e príncipes reunidos com forças e armas atacarem a essa praga mundial, resolvendo o assunto não mais com palavras, mas com a espada (…) Se castigamos os ladrões com a forca, os assaltantes com a espada, os hereges com a fogueira, por que não atacamos com armas, com maior razão, a esses mestres da perdição, a esses cardeais, a esses papas, a todo esse ápice da Sodoma romana, que tem perpetuamente corrompido a Igreja de Deus, lavando assim as nossas mãos em seu sangue?”

Em um folheto contra o catolicismo, intitulado “Contra a Falsamente Chamada Ordem Espiritual do Papa e dos Bispos”, de julho de 1522, ele declarou:

“Seria melhor que se assassinassem todos os bispos e se arrasassem todas as fundações e claustros para que não se destruísse uma só alma, para não falar já de todas as almas perdidas para salvar os seus indignos fraudadores e idólatras. Que utilidade tem os que assim vivem na luxúria, alimentando-se com o suor e o sangue dos demais?”

Em outro folheto, contra os anabatistas, intitualdo “Contra a Horda dos Camponeses que Roubam e Assassinam”, ele dizia aos príncipes:

“Empunhai rapidamente a espada, pois um príncipe ou senhor deve lembrar neste caso que é ministro de Deus e servidor da Sua ira (Romanos 13) e que recebeu a espada para empregá-la contra tais homens (…) Se pode castigar e não o faz – mesmo que o castigo consista em tirar a vida e derramar sangue – é culpável de todos os assassinatos e todo o mal que esses homens cometerem”.

Em julho de 1525, Lutero escrevia em sua contra os anabatistas "rebeldes" que não aceitavam o luteranismo, a intitulada “Carta Aberta sobre o Livro contra os Camponeses”:, 

“Se acreditam que esta resposta é demasiadamente dura e que seu único fim e fazer-vos calar pela violência, respondo que isto é verdade. Um rebelde não merece ser contestado pela razão porque não a aceita. Aquele que não quer escutar a Palavra de Deus, que lhe fala com bondade, deve ouvir o algoz quando este chega com o seu machado (…) Não quero ouvir nem saber nada sobre misericórdia”.

Sobre os judeus, assim dizia em suas famosas “Cartas sobre a Mesa”:

“Quem puder que atire-lhes enxofre e alcatrão; se alguém puder lançá-los no fogo do inferno, tanto que melhor (…) E isto deve ser feito em honra de Nosso Senhor e do Cristianismo. Sejam suas casas despedaçadas e destruídas (…) Sejam-lhes confiscados seus livros de orações e talmudes, bem como toda a sua Bíblia. Proíba-se seus rabinos de ensinar, sob pena de morte, de agora em diante. E se tudo isso for pouco, que sejam expulsos do país como cães raivosos”.

Em seus “Comentários ao Salmo 80″, Lutero aconselhava aos governantes que aplicassem a pena de morte a todos os hereges (não-luteranos).

Lutero tinha uma série de idéias, digamos, "estranhas" sobre a raça alemã, que seria destinada a ser uma raça de senhores. Sobre os judeus, Lutero, tal e qual Hitler alguns séculos depois, aceitou de bom grado gordas fortunas para suas pregações. 

No entanto, tal e qual Hitler alguns séculos depois, Lutero não teve dúvida alguma em perseguir os judeus e os exterminar. Lutero era um anti-semita notório e assumido. Nem preciso também lembrar que Lutero, tal e qual Hitler séculos depois, também odiava negros, índios e tudo o mais que não pertencesse à sua raça suprema. Vale lembrar que Lutero ordenava o extermínio de quem fosse católico ou que fosse a uma missa. Com tantos pecados, com tantas matanças, Lutero deve de estar no inferno. Por sinal, os luteranos de hoje rejeitam os escritos anti-semitas de seu fundador.

Melanchton, o teólogo luterano da Reforma, aceitou ser o presidente da inquisição protestante, com sede na Saxônia. 

Ele apresentou um documento, em 1530, no qual defendia o direito de repressão à espada contra os anabatistas. Lutero acrescentou de próprio punho uma nota em que dizia: “Isto é de meu agrado”. 

Convencido de que os anabatistas arderiam no fogo do Melanchton os perseguia com a justificativa de que “por que precisamos ter mais piedade com essas pessoas do que Deus?”

Calvino

Em suas “Institutas”, declarou: “Pessoas que persistem nas superstições do anticristo romano devem ser reprimidas pela espada”.

Em 1547, o humanista James Gruet, que publicou uma nota criticando Calvino e foi preso, torturado no potro duas vezes por dia durante um mês e, finalmente, sentenciado à morte por blasfêmia. Seus pés foram pregados a uma estaca e sua cabeça foi cortada.

Em 1555, os irmãos Comparet foram acusados de libertinagem, executados e esquartejados. Seus restos mortais foram exibidos em diferentes partes de Genebra.

Olhando para o caso de Miguel Serveto, por exemplo, você vêra que Calvino acusou Serveto perante as autoridades civis. O Consistório (a companhia de pastores, liderado por Calvino) não tinha autoridade para condenar Serveto em si, como a Inquisição Católica teria feito. A opinião de Calvino teve peso é claro, Calvino afirmou 7 anos antes de Serveto ser preso que, se a opinião dele tiver peso, Miguel não sairia de Genebra vivo. Contudo, o fato é que a opinião de Calvino a favor ou contra Servet não faria nenhuma diferença já que ele não tinha tal autoridade no julgamento de Servet que já havia sido condenado pelos inquisidores católicos a morte.

Zwínglio

Em 1525, começou a perseguir os anabatistas de Zurique. 
As penas iam desde o afogamento no lago, nos rios, até a fogueira. 


PROTESTANTES VS PROTESTANTES

A violência não foi exercida apenas contra os católicos. Os reformadores foram violentos entre si.

Lutero disse: “Ecolampaio, Calvino e outros hereges semelhantes possuem demônios sobre demônios, têm corações corrompidos e bocas mentirosas”.

Por ocasião da morte de Zwínglio afirmou: “Que bom que Zwínglio morreu em campo de batalha! A que classe de triunfo e a que bem Deus conduziu os seus negócios!”, e também: “Zwínglio está morto e condenado por ser ladrão, rebelde e levar outros a seguir os seus erros”.

Zwínglio também atacava Lutero: “O demônio apoderou-se de Lutero de tal modo que até nos faz crer que o possui por completo. Quando é visto entre os seus seguidores, parece realmente que uma legião o possui”.

Auguste Comte, em sua obra “Filosofia Positiva”, escreveu: 

“A intolerância do Protestantismo certamente não foi menor do que a do Catolicismo e, com certeza, mais reprovável”

-----------

Fontes:
Angelo Adriano Faria de Assis
Pesquisa na Web



Nenhum comentário: