quinta-feira, 23 de junho de 2016

A FELICIDADE

Há três importantes condições que entram no cômputo da felicidade: saúde, paz e prosperidade. A saúde deve ser conservada a todo o custo, tanto a do corpo físico, quanto a mental. A moderação dos hábitos contribui para manter a saúde. A criatura deve ser morigerada na alimentação, no trabalho, no próprio descanso. Descansar demais é prejudicial. O trabalho exercita o físico e a mente. Para manter a saúde é preciso também adquirir o hábito da serenidade, não deixar que o sistema nervoso se altere de maneira nenhuma. 

Ninguém resolve nada com nervosismo. É costume dizer-se que “o que não tem remédio está remediado”. Depois do fato consumado, o que resta a fazer é dominar os nervos, para melhor poder pensar e agir. Educar o pensamento, ou a forma de pensar, é uma necessidade, para que se possa meditar com serenidade. Os abalos morais descontrolam as células do organismo e predispõem o corpo à doença.

Na vida, todos estão sujeitos a passar por dissabores, a receber notícias desagradáveis, a desgostar-se com as injustiças dos menos esclarecidos. Essas contrariedades afetam a saúde, provocando distúrbios internos que, muitas vezes, só se manifestam tempos depois. Por isso, é de bom alvitre estimular o bom humor, procurar ser otimista em termos razoáveis, dar o devido desconto aos fatos sensacionais, de vez que estes somente produzem efeito nos primeiros momentos em que são conhecidos, caindo, logo depois, na rotina da vida.

Quando os insucessos passam, verifica-se que não houve motivo tão forte para que trouxessem tanto sofrimento, que o próprio tempo se incumbe de apagar. Neste mundo, às vezes caótico, em que as desgraças e a dor se escondem em cada moita do caminho, vale preservar a saúde para se poder resistir aos embates. Uma vez se conheçam os perigos que eles oferecem, perigos que todos os encarnados têm condições para enfrentar e vencer, melhor é entrar na liça com corajosa serenidade, vencendo o nervosismo.

É evidente que a humanidade tem feito pouco progresso espiritual nos dois mil anos após a vinda de Jesus, um revolucionário do bem, que trouxe consigo gloriosas mensagens não aprendidas pelo mau uso do livre-arbítrio dos povos, faculdade de dois gumes, que tanto pode elevar, como degradar. Não quis a humanidade fitar a Luz refulgente do Farol, preferindo ocultar-se nas sombras da noite, para dar expansão aos atos da matéria. Essa é uma das razões de haver tão profusa disseminação de moléstias, das mais variadas origens, que afetam todos os seres. [...]

Um indivíduo sozinho não pode modificar a situação geral. Esta é obra para muitos. Cada um terá de fazer a sua parte, em benefício do conjunto humano. Conduzir os seres para o caminho da espiritualidade é o maior anseio, a solução do problema, a conquista do ideal. A felicidade almejada virá, então, como todos esperam, desde que afastadas as causas materialistas que a mantêm à distância.

A paz é o atributo componente da felicidade. Paz quer dizer consciência tranqüila, deveres bem cumpridos, obrigações em dia. [...] Não pode haver espiritualidade sem paz. Ela é confiança, convicção, certeza. Confiança na sua imutabilidade, convicção nos métodos que a sustentam, certeza nos benéficos resultados que dela advêm. A paz é sustentáculo dos fortes, daqueles que conhecem a marcha da evolução e podem dar participação eficiente em seu favor.

A paz é uma segurança para o equilíbrio das funções de relação na vida social. Ela não acomoda a injustiça, o desgoverno, a malquerença. Ao contrário, firma-se na ponderação, na lógica da razão, nos princípios do amor, e é harmônica com respeito à felicidade dos povos e ao entendimento das nações. A paz reside no interior das almas justas, bondosas, valorosas e amigas, que sabem vibrar no regozijo com a felicidade alheia. Saúde e paz varrem as preocupações do espírito e, quando associadas à prosperidade, completam o ciclo da felicidade.

Na realidade, a prosperidade é outro fator que predispõe o indivíduo a considerar-se feliz. Todos almejam prosperidade nos negócios, nos estudos, nos vários ramos da atividade. A prosperidade é o resultado do êxito, do acerto, do merecimento. A prosperidade vem ao encontro do laborioso, do esforçado, do metódico, do diligente, daquele que não desfalece diante dos óbices a vencer. [...]

A prosperidade só é válida, só tem base firme, só representa uma verdadeira conquista, quando se esteia na honestidade, quando não é reflexo do egoísmo, quando, para alcançá-la, não se pisa sobre o semelhante. Prosperidade não significa, simplesmente, riqueza material; ela, na realidade, é muito mais do que isso. Prosperidade é parte integrante do tesouro do espírito e acervo de valores morais. [...]

A felicidade, no entanto, não é uma fantasia no cenário da vida terrena. No meio de tantos riscos de viver-se infeliz, há um caminho intercalante de pleno contraste com os painéis da dor, da insegurança e da angústia, que se pode chamar o caminho da felicidade. Ele existe, realmente, norecôndito da agitação tumultuosa, na voragem que consome ou subverte os recursos morais em meio do lodo das misérias humanas, ou seja, no desprezo aos deveres espirituais. Por entre essas degenerescências humanas, desenvolve-se sinuosa, ampla, iluminada, a estrada da felicidade. É, porém, preciso encontrá-la, saber como descobri-la. Não é cultuando o materialismo escravizador que se há de chegar a desvendá-la. Ela está no interior de cada um, perfeita, intacta, pronta a servir de acesso aos mais altos cumes da gloriosa jornada.

A felicidade começa a ser sentida com a descoberta do seu caminho e vai-se revelando, ampliando, intensificando à medida que se for seguindo para a frente, na sua direção, com segurança, perseverantemente, cada vez mais consciente pela capacidade interna de realização dos valores espirituais. [...]

A felicidade é um estado emocional de alegria e conforto moral, que vibra com a consecução do bem; é produto de condições inatas, que se apuram, sempre, com o exercício dos preceitos da espiritualidade. Todos são mais ou menos responsáveis pela carência de felicidade, visto como estando ela ao alcance de qualquer um, deixa-se de lado a aplicação dos meios com que desfrutá-la, preferindo- se dar vazão a pensamentos e sentimentos que redundam em prejuízo daquele alto propósito.

A serenidade, a confiança em si, o equilíbrio na palavra e na ação, a compostura, a generosidade, o respeito à dignidade humana, a disciplina educativa, o comedimento, a discrição, a consciência do dever, a probidade, a atenção no trato, a prática do bom humor, são atributos cultiváveis, atributos inatos do espírito, que, sendo revelados, atestam felicidade.

Quem possuir, despertas, tais faculdades entra, realmente, no caminho da felicidade, e dele não se afastará jamais, porque sabe que encontrou o tesouro da vida que “a traça não corrói nem a ferrugem consome”, no dizer do Mestre Nazareno. Só não crêem na existência da felicidade aqueles que se encontram mergulhados nas águas profundas da incompreensão, em decorrência da própria vontade mal orientada, quando procuram satisfazer-se, apenas, com os atrativos efêmeros e perecíveis da matéria. [...]

Que a felicidade existe é do domínio comum. Tudo depende da adaptação a ela, já que não é privilégio de ninguém. Como um tesouro oculto, precisa ser descoberta no interior de cada um; as chaves que abrem as portas do templo da felicidade encontram-se à disposição daqueles que as quiserem. “Procurai a Verdade e a achareis”, é uma frase atribuída a Jesus, que se ajusta ao caso; encontrar o caminho ideal é uma questão de orientação dentro de normas aqui divulgadas.

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Autor: Luiz de Souza



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