terça-feira, 28 de junho de 2016

A BOA EDUCAÇÃO

Educar-se é aprender a comandar os instintos e as tendências. Quem não tem horas para dormir e trabalhar, quem gasta e diverte-se exageradamente e não consegue dominar os acessos de cólera ou os momentos de medo, também não poderá dominar-se em qualquer circunstância, até mesmo na sexualidade. Educação não consiste apenas em boas maneiras, é algo mais amplo, mais profundo, porque envolve o desenvolvimento da vontade, os problemas da saúde física, da higiene mental, da formação moral. Os vícios são verdadeiras doenças morais de que se contagiam os mal-educados. Educar-se é também preparar-se para a sexualidade normal [...]. O instinto não controlado é próprio dos irracionais. Educar é compreender, é reforçar a vida do grupo, compartilhando não só das responsabilidades e alegrias como do trabalho.

Educação não é somente o maior bem legado aos filhos, mas também o mais alto dever paterno. Não se furtem os pais a esse dever, nunca vacilando em colocá-lo acima das experiências e da tranqüilidade pessoal. O perigo de não educar os menores é o de legar-lhes um triste futuro: criaturas fracassadas ou carrascos dos que lhes ensinaram a ser tiranos. Mas não são poucos os lares onde os filhos implantam anarquia, mandam, olham a mãe como serviçal.

A delicada tarefa de educar depende de harmonia interior, de equilíbrio, por isso nem todos os pais estão aptos a ministrá-la, embora sejam sinceramente desejosos da felicidade dos filhos. São criaturas-problema, mais erradas que culpadas, cujo comportamento é conseqüência da própria história pessoal: reações afetivas de parentes ou conjugais, agressividade com que foram tratadas na infância e adolescência. Mas, se a recuperação é uma lei natural, qualquer indivíduo, desde que se esclareça, que se conheça, é capaz de solucionar os próprios problemas e evitar outros (os dos filhos).

A maneira de educar não deve ser uma panacéia universal, porque as crianças não são iguais, mas há princípios gerais que evitam constantes equívocos. Relações de afetividade indispensáveis ao binômio pais-filhos são envenenadas pelo autoritarismo que humilha, solapa a confiança, destrói o amor. São comuns em algumas famílias as ofensas que decorrem dos atritos diários reveladores de falta de confiança, de medo de futuros fracassos.

É bom que o educador não esqueça que sensibilidade ferida tem ótima memória. Em educação, é importante a crítica objetiva que se baseia no bem-estar do outro, na análise que visa ao autocontrole, a qual será realizada com moderação e ponderação. Somente tal atitude do educador poderá ajudar a refletir.

Educar e aceitar o outro tal qual é, o que não impede de ajudá-lo a tornar-se aquilo que devia ser. Educar é dar prova de amor, mas existem pais que não dando importância às condições afetivas, agem de acordo com o modo de pensar. Imaginam que, aplicando apenas bons hábitos automaticamente, educam muito bem: a criança executa as ordens e, de tanto executá-las, torna-se um ser forte dotado de personalidade.Evidentemente, a autoridade é indispensável, mas não impede que se afirme que tanto pode formar como deformar. Uma criança normal, mal compreendida pelos pais, será educada às avessas.

Atitudes pedagógicas rígidas e humilhantes provocam revolta surda ou declarada. O método pode ser enérgico, mas desde que apele para uma aceitação espontânea, não terá a inconveniência de desencadear reações de animosidade ou hostilidade. O papel dos pais é aprender a aceitar as piores estórias dos filhos, podendo até provocá-las nos momentos de tensão para evitar cóleras surdas que conduzem, muitas vezes, à hipocrisia ou à mentira. Compreender, não para perdoar, mas para aplicar o castigo merecido.

“Seja bonzinho para agradar a seus pais” é frase que não atinge as necessidades profundas do adolescente. O erro não está no apelo ao amor filial, mas na maneira inexpressiva de dizê-lo. Mas explicar que somente o cumprimento do dever abre caminho a uma vida produtiva é reforçar, é guiar.

Agir sem durezas e fraquezas, aceitando a criança ou o adolescente como alguém que necessita de uma presença para compreender as contradições e ajudar a compensá-las é o que vale em educação - o problema mais importante do Brasil, segundo a opinião do eminente mestre Miguel Couto.

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Autora: Olga B. C. de Almeida



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