segunda-feira, 13 de junho de 2016

A ALEGRIA

O homem, quando nasce, recebe toda a bagagem espiritual e genética de que precisa para organizar e desfrutar a sua vida com alegria e relativa felicidade. Tanto mais é assim quanto mais corretamente agirmos, usando o nosso livre-arbítrio para o bem.

Mas, o que é ser feliz?

Ser feliz é sobrepujar as incertezas da vida e, no dizer de José da Silva Martins, em seu livro Sabedoria e felicidade: “ultrapassar as inquietudes e angústias, transformando-as em felicidade” [Martins, 1990, p. 303].

As lamentações e lamúrias a que muitas pessoas se dedicam são fontes contrárias à felicidade; já a alegria de viver nos leva à felicidade. Marco Aurélio disse: “Não devo lamentar-me, eu que jamais lamentei quem quer que fosse” [Martins, 1990, p. 306].
Portanto, para sermos felizes é preciso pugnarmos e elevarmo-nos pelo cumprimento de nossos deveres. Assim procedendo, veremos que o império da alegria nos purificará e se tornará nosso reino.

Fazendo o bem, nossa felicidade aumenta e, com ela, nossa liberdade; ao contrário, nas correntes do mal, nossas ações tornar-se-ão limitadas e, com elas, nossa liberdade restará diminuída. Assim, a felicidade precisa ser exercitada todos os dias, a cada momento, pensando no presente e no futuro e esquecendo o passado, se este foi triste.

É preciso não se deixar enganar, pensando que a felicidade se revela apenas nos arroubos da alegria; os verdadeiros sábios parecem disfarçar sua felicidade em austera serenidade, da qual emana uma irreversível felicidade, que toca a todos que com eles convivem ou se aproximam.

É de Rabelais esta frase: “Ri, ri, porque o riso é próprio do homem” [Martins, 1990, p. 307]. Aliás, é sabido que o homem é o único animal que ri e nisto está parte de sua superioridade no mundo animal.

Para conservar a felicidade é preciso que evitemos a ociosidade, que é a mãe de todos os males. Para isso, nosso tempo deve ser dedicado às ações e tarefas concretas e que nos dêem prazer. Veja estas linhas de Ella Wilbur Wilcox: “Adorai a vida que tendes. Buscai algo que valha a pena fazer enquanto fordes trabalhando para melhorar vossas condições e aspirar à felicidade que almejais. Rejubilai-vos com alguma coisa todos os dias, porque o cérebro ganha hábitos e não podeis ensiná-lo de repente a ser feliz se lhe permitirdes ser infeliz” [Martins, 1990, p. 307].

É um erro pensar que a felicidade só é possível com o isolamento, na meditação ou que se necessita de um guru para alcançá-la. Muito ao contrário, a felicidade não viceja no isolamento; é preciso haver o contato benéfico e harmonioso com todos que nos rodeiam, para que ela se torne possível, real. A felicidade não se procura, não se busca, ela advém naturalmente da prática do Bem, com fundamento no amor universal, com o desejo ardente de trabalhar não só para si, mas também, para toda a família humana, para nossos irmãos, nesta jornada terrena.

É isso o que nos ensinou Aristóteles: “A felicidade consiste em fazer o Bem” [Martins, 1990, p. 308]. Em outras palavras: há uma relação de causa e efeito recíproca entre o trabalho do corpo e do espírito com a saúde: corpo são e mente sã são necessários para nos proporcionar alegria e contentamento, sentimentos estes que acompanham a felicidade. Portanto, para sermos felizes o lema é saber tornar os outros melhores e mais felizes que nós próprios.

Mas, a melhor forma que temos para alcançar felicidade está na bondade que praticamos para com os nossos semelhantes. Ela retorna, realimentando esse processo.Outra forma de ser feliz é cumprir rigorosamente com os nossos deveres. A consciência do dever cumprido consagra em nossa alma uma doce alegria, que reflete diretamente em nosso semblante, contagiando, positivamente, as pessoas com quem convivemos.

Krishnamurti nos dá uma lição: “Nunca permita sentir-se triste ou deprimido. A depressão é negativa, porque ela contamina outras pessoas, torna suas vidas mais difíceis, o que você não tem o direito de fazer. Portanto, se a tristeza o atingir, livre-se dela imediatamente” [Martins, 1990, p. 309]. Encarar a vida negativamente é debater-se sem cessar nas trevas da noite, deprimindo o corpo, esvaindo a saúde e gerando toda espécie de doença.

O segredo é viver em harmonia com tudo o que existe, com amor e abnegação, dedicando-se ao serviço da humanidade e à felicidade de nossos semelhantes; com certeza a alegria e a felicidade serão os nossos baluartes. José da Silva Martins escreveu: “A felicidade e a verdade são plantas da vida moral mais do que da vida intelectual. Uma verdade só existe a partir do momento em que ela modifica, purifica e enobrece qualquer coisa em nossa alma” [Martins, 1990, p. 311].

Aquele que melhor conhece a si mesmo é o mais feliz dos homens e sabe mais profundamente que a felicidade não é inseparável dos sofrimentos e das angústias que o ser humano tem que enfrentar na marcha de sua evolução aqui na Terra. A criatura que é forte e determinada sabe ser infatigável, humana e corajosa. Sabe onde quer chegar e é sempre vencedora no cumprimento de seus deveres. Por isso, goza de relativa felicidade. Esta felicidade não é igual para todos. Cada um tem que adquiri-la por si mesmo e senti-la a seu modo, de acordo com o grau de sua espiritualidade.

Finalmente, encontramos pessoas que entendem que a felicidade só pode ser alcançada no sacrifício. A resignação e o sacrifício são sentimentos belos, quando empregados para salvar vidas humanas diante de fatos inevitáveis, tais como incêndios, desastres e catástrofes, mas, fora disso, não passam de estupidez humana. Isso ocorre porque certas criaturas acham mais fácil morrer moral e até fisicamente para os outros do que viver para si mesmas. É bom observar, no entanto, que a resignação pode se tornar um refúgio de covardia.

A felicidade pode tornar-se um hábito pela nossa vontade posta a serviço do bem pelo amor ao bem.

Enfim, a felicidade é a chave de ouro da vida!

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Autor: Caruso Samel



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